Polícia
Advogado diz ter certeza de que vai reaver im�veis
RITA MAGALHÃES ENVIADA A BELO HORIZONTE E BETIM (MG) O advogado Adalberto Lustosa de Melo, 55, principal defensor do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, disse que já entrou com ação de embargo de terceiro ? recurso que pede a revogação do pedido de seqüestro dos bens ? e afirmou ter certeza de que vai reavê-los judicialmente. É ele quem afirma que os bens confiscados estão avaliados em R$ 14 milhões, segundo a Polícia Federal afirmou na época da apreensão. Atualmente, segundo a PF, os bens que estão nas mãos da Justiça custam R$ 5 milhões. Segundo Lustosa, dos 22 imóveis confiscados como sendo de Beira-Mar, apenas dois estão em seu nome. ?O apartamento onde ele foi preso, na Rua Minas Novas, no bairro Cruzeiro, e outro, no bairro Ouro Preto, que ele não terminou de pagar porque foi preso. Nesse último, já existe até uma ação de embargo pedindo a rescisão do contrato?. O advogado afirma ter convicção de que Beira-Mar vai reaver os bens porque eles foram declarados no imposto de renda do traficante, na época em que ele atuava como construtor de imóveis. ?O argumento usado para o seqüestro foi de que esses imóveis foram adquiridos com o dinheiro proveniente do tráfico. Estou provando que não. Que até ser preso, ele era um construtor bem sucedido?. Parceria Lustosa afirma, ainda, que Beira-Mar levou para Belo Horizonte uma nova modalidade de empresa. Ele construía apartamentos em imóvel de outra pessoa e aí fazia uma parceria na hora da venda. ?Foi o que ele fez em Betim. Lá em Betim, tem uma tia dele (Neruás Luiz Teixeira) que é dona de uma mansão e de dois prédios ? bens que foram seqüestrados e hoje estão ocupados pela Polícia Militar. Ela cedeu os terrenos para o Luiz Fernando construir. Depois, juntos, eles dividiriam o lucro da venda?. Outras sete pessoas, apontadas no processo criminal como testas-de-ferro ou sócios de Beira-Mar, acionaram a Justiça, em meados de 97, reivindicando a propriedade dos bens. Um dos principais testas-de-ferro, segundo o processo, é Luiz Cesar Moraes, de 44 anos, primo do traficante. Em depoimento ao delegado federal Ivan Cesar Moraes, em julho de 96, ele confirmou a suspeita. Disse que trabalhava para Beira-Mar emprestando seu nome para lavagem de dinheiro do tráfico. Em troca, recebia 4% do lucro de um dos negócios do primo. Moraes também confirmou que Beira-Mar era um dos abastecedores dos traficantes ligados ao Comando Vermelho.