Polícia
Sem concurso público para a PC, delegacias de AL vão fechar
Falta de efetivo da Polícia Civil pode levar ao fechamento de delegacias. Sem pessoal, a corporação passa a enfrentar dificuldades para o esclarecimento de crimes e no atendimento ao cidadão. Essa constatação é reforçada pelo delegado Robervaldo Davino, que preside a Associação dos Delegados de Polícia de Alagoas (Adepol). Nesta entrevista, ele faz um balanço das atuais condições da PC no Estado, cobra a realização de concurso público e revela que, entre os 121 delegados na ativa, 45 estão aptos para a aposentadoria, medida que, se colocada em prática, segundo ele, vai resultar no encerramento das atividades nas delegacias. De acordo com Davino, atualmente já há delegados responsáveis por quatro delegacias pelo interior e a redução do efetivo atinge também agentes de polícia, escrivães, peritos, entre outras funções. O presidente da Adepol se posiciona ainda a favor da criação de uma única polícia ? Civil e Militar ? para o combate ao crime, mas aponta que a desigualdade social, o desemprego, as deficiências na educação contribuem para a entrada de jovens no mundo do crime. O delegado, titular do 6º Distrito da Capital, ainda aborda os motivos que levam à demora ou mesmo à dificuldade para o esclarecimento principalmente de crimes de homicídio envolvendo mandantes e revela que poucos assassinos são presos em flagrante. *** Gazeta ? Qual a situação atual da Polícia Civil a partir da Adepol? Robervaldo Davino ? No que diz respeito a efetivo, está a pior possível. Nosso quadro ideal seria 210 delegados. Nós temos hoje 121 delegados ativos, distribuídos dentro de diretorias, delegacias etc. Tem delegado no interior do Estado que responde por quatro, cinco delegacias e a população exige a presença do delegado de segunda-feira a domingo e é impossível você trabalhar de segunda a domingo. Primeiro por que você tem uma carga horária a cumprir de 40 horas semanais. Inclusive, quando nós fizemos o concurso para delegado de polícia, eram previstas 30 horas, foram aumentadas para 40 horas e financeiramente não tivemos nenhum acréscimo em nosso salário. Então, hoje nós temos 121 delegados, dos quais 45 estão aptos à aposentadoria, entre eles, eu. Há muito tempo nós estamos pedindo ao governador do Estado o concurso para delegado de polícia. Se nós resolvermos nos aposentar, iremos ter em torno de 69 delegados para atender toda a demanda do Estado, e vai ser um caos. E com relação aos policiais civis? No que diz respeito aos policiais civis, nós precisamos de 4.100 policiais, salvo engano, e de uns 400 escrivães. Agente de polícia nós temos 1.400 e desse total temos uns 400 aptos a se aposentarem também. Então, o que ocorre? As delegacias praticamente vão fechar se não houver esse concurso público para a Polícia Civil. E a situação dos escrivães é do mesmo jeito. Essa deficiência no que diz respeito a efetivo é a pior possível hoje.