Polícia
Juiz escapa de emboscada em casa de praia
Fernando Araújo O juiz Hélder Loureiro, responsável pela condenação dos integrantes da chamada gangue fardada, informou, ontem, que escapou de uma emboscada armada por pistoleiros a serviço do crime organizado. Ele contou que seria assassinado em sua casa de praia, na segunda-feira pela manhã, no litoral norte de Alagoas, a 94 quilômetros de Maceió, onde passou o feriado com a família. ?Assim que cheguei a Maceió fui avisado por um vizinho de que oito elementos estiveram na frente da minha casa de praia, em dois carros, um Uno cinza e um Palio verde, ambos com placas do Recife?, informou o magistrado. Ele disse que se tivesse voltado para Maceió na segunda-feira à tarde, como havia planejado, poderia estar morto. ?Tenho certeza de que esses elementos foram lá para me matar, porque sabem que o governo reduziu o número de policiais que trabalhavam na minha segurança? destacou o juiz. O caso foi registrado na delegacia de Porto de Pedras, no Tribunal de Justiça, Almagis e Secretaria de Defesa Social, que prometeu tomar as providências. Hélder Loureiro informou à GAZETA que sua segurança vem sendo fragilizada por medidas que prejudicam os 13 militares que lhe dão segurança 24 horas por dia. ?Primeiro, foram cortadas as diárias para viagens, depois deixaram os militares fora da gratificação por classificação e agora o comando da PM determinou que os policiais dêem plantão no Bope, após o rodízio de minha segurança??, explicou o magistrado. Vivendo sob forte esquema de segurança desde fevereiro de 1998, o magistrado se diz frustrado com a falta de atenção com relação a sua segurança. ?Não fiz nada de excepcional. Só cumpri meu dever e, por isso, vivo enclausurado e sob constantes ameaças de morte. Não estou arrependido do que fiz. Só estou triste com essa falta de apoio a minha segurança??, lamentou o magistrado. Em entrevista à Agência Estado, o governador Ronaldo Lessa teria declarado que o juiz foi visto em uma praia de Porto de Pedras, durante o feriado de Páscoa, sem segurança. Lessa teria estranhado tal fato, em se tratando de um magistrado que se diz ameaçado de morte. Mas o juiz garantiu que não dispensou a proteção policial. Disse que viajou apenas com dois PMs por não poder custear as despesas de todos os militares que fazem sua seguança, uma vez que o governo cortou as diárias em viagens.