Polícia
População cobra ação de Força Nacional
Quarta-feira à tarde. Da calçada do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, o conhecido Bope, no Pontal da Barra, é possível ver parte dos preparativos. São 15h10. A cor vinho da boina difere os policiais da Força Nacional dos alagoanos. Reunidos no pátio, estão prestes a embarcar em mais uma incursão pela periferia de Maceió. Querem intimidar a criminalidade. Uma fileira de viaturas se divide em grupos de três carros. Levam em torno de 70 militares. Policiais do Bope vão na frente, guinado os visitantes da Força. Criada em agosto de 2004, a tropa federal chegou no Estado na sexta, 28 de março. Vieram 60 homens e quatro mulheres. A previsão é que fiquem dois meses. Uma das equipes seguiu para o Jacintinho e a Gazeta acompanhou. ### Não me sinto mais seguro com eles Caminhando com o filho adolescente, prestes a ser matriculado nas aulas de natação do Sesi, na Cambona, Liege das Dores Carvalho, 40 anos, vinha do Vergel. Assustada, ela cedeu ao pedido de sua atenção, bem próximo à região onde moravam Caetano e Nem Catenga, filhos de Zé Moreno, todos presos há cerca de dois meses, acusados pela polícia de liderar o tráfico de drogas na Levada. Na quarta, eu vi a Força Nacional no Vergel. Já vi perto do Mercado e no Benedito Bentes também, enumera Liege, que se mudou do Tabuleiro recentemente com medo dos assaltos aos coletivos. Nos que fazem a linha Benedito Bentes, assaltam direto. Morria de medo por causa dos meus filhos que pegavam ônibus todos os dias, diz ela, que trabalha num consultório odontológico. Trabalho no cadeado, comentou. ### Número de policiais é considerado baixo Para as autoridades ligadas à segurança pública em Alagoas, o envio da Força Nacional para o Estado é uma resposta aos sucessivos pedidos de intervenção federal na condução da Secretaria de Defesa Social, assim como, para comandar o órgão, a nomeação do secretário Paulo Rubim delegado da Polícia Federal. Tanto a nomeação como o envio da tropa ocorreram na última semana, quando o Ministro da Justiça, Tarso Genro, visitou a capital. Presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública, o juiz Manoel Cavalcante recorda que a entidade recomendou ao governador, durante os quase sete meses de greve dos policiais civis, pedir ao governo federal o reforço da Força Nacional para tentar brecar a criminalidade. ///