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Polícias torturam presos em Alagoas

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As polícias de Alagoas torturam presos, sejam eles criminosos já identificados e condenados, sejam apenas suspeitos. A tortura acontece durante operações, prisões e nos interrogatórios policiais. A premissa é de estudiosos do assunto, de dirigentes de entidades de direitos humanos, promotores de Justiça e até mesmo de policiais. Porém, ao admitirem a prática da tortura como uma verdade irrefutável, todos ressaltam que os registros diminuem a cada ano. Há uma ou duas décadas passadas, a tortura era uma prática tão comum que, em conseqüência, um delegado e cinco agentes policiais foram condenados no dia 24 de julho último, sob a acusação de torturarem presos durante investigação sobre a Gangue Fardada. ### Pau-de-arara, choque, socos e pontapés Após dez anos, os policiais Círio Mendes, Jacinto Costa Neto, José Roberto Nunes, Carlos James e Eliodorio Celerino foram condenados, cada um, a 28 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado. Eles próprios não acreditavam que o que fizeram no dia 23 de janeiro de 1998 pudesse condená-los, muito menos a uma sentença tão alta. A decisão judicial determina também a perda do cargo público e a proibição de exercerem função pública pelo dobro do prazo da pena aplicada. A sentença, assinada por um grupo de juízes de Direito, lembra que, como agentes públicos, os cinco policiais são remunerados exatamente para conter desmandos e jamais praticá-los. ### Coronel Amaral faz escola até hoje Seguidamente espancado, Sélcio José denunciou à Justiça que o pior momento foi quando, com um ferro entre as pernas, as mãos algemadas e o corpo pendurado entre dois birôs, com a cabeça para baixo e as pernas para cima, teve um cabo de vassoura enfiado em seu ânus. Relatos como os dos quatro homens que levaram um delegado e cinco policiais para a cadeia se assemelham a outros casos que permanecem escondidos porque as vítimas temem denunciar. As agressões, por menores que sejam, e as ameaças verbais, ainda são prática corrente em muitas delegacias alagoanas. ### Torturados tentam refazer a vida | SEVERINO CARVALHO - Repórter Porto Calvo - Depois de passarem mais de dois anos presos acusados de envolvimento em crimes praticados pela chamada Gangue Fardada e de serem seviciados na cadeia, eles tentam hoje levar a vida normalmente, mas não está sendo fácil. Dois (Jairo Buarque da Silva e Marcos Antônio Silva do Nascimento) ainda residem e trabalham em Porto Calvo, um (Marcos Vinícius da Silva, o Preá) foi trucidado a tiros e o outro (Sélcio José da Silva), beneficiado pelo Programa de Proteção à Testemunha, do governo federal. Ele deixou a cidade para morar fora do Estado, num lugar onde nem a própria mãe sabe. Ela está desesperada sem receber notícias do filho. Em 1998, os quatro foram presos e interrogados pelo delegado Osvanilton Adelino de Oliveira e equipe. ### Marcos Bafafá nega ter sido agredido Marcos Antonio Silva do Nascimento, o Marcos Bafafá, e Jairo Buarque da Silva tentam refazer as vidas em Porto Calvo depois das agruras vividas no cárcere. O primeiro trabalha como representante comercial, o segundo, de motorista. Como estavam em horário de serviço, a Gazeta só conseguiu conversar com Marcos Bafafá, e por telefone. Econômico nas palavras, ele evita relembrar o caso e disse que não tem nada contra o delegado Osvanilton Adelino e equipe. Não tenho queixa contra ele, nem contra ninguém. Isso (prisão e condenação) que aconteceu com ele (Osvanilton), foi culpa do Sélcio (José da Silva). Por mim e pelo meu amigo (Jairo) não teria acontecido nada, afirmou Marcos, lamentando o fato de a imprensa relembrar o caso, depois da prisão do delegado e dos agentes. SC /// É nos porões das delegacias onde sessões de pancadaria ocorrem sem defesa para vítimas. Foto: Ricardo Lêdo

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