Polícia
Alagoas na rota internacional do tr�fico de animais
EDITORIA DE POLÍCIA O subcomandante do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), major Neuton Bóia de Lima, revelou que Alagoas faz parte da rota internacional do tráfico de animais silvestres e que o combate ao crime tem sido uma preocupação da unidade no Estado. Macacos, papagaios, ararinhas, capturados em seu hábitat, passam por Pernambuco, atravessam o território alagoano, principalmente pelo sertão, chegando à Bahia, de onde seguem para os mercados consumidores, sendo os mais importantes o sul do País e a Europa. ?O comércio local, em feiras livres, vem sendo combatido com rigor pela polícia?, garante o oficial da PM. O major Neuton denunciou, também, a pesca predatória, realizada por verdadeiras quadrilhas, que atuam no litoral alagoano citando, por exemplo, a pesca da lagosta. Segundo ele, os pescadores estão utilizando produtos químicos, arpão e compressores, além de bombas e outros instrumentos proibidos, causando danos à fauna aquática. Acrescentou que não são apenas os pequenos pescadores que infringem a lei. Gente influente e perigosa está atuando nos litorais norte de Alagoas e sul de Pernambucano. No caso da pesca da lagosta, informou Neuton Bóia de Lima, como se trata de um comércio rendoso (o quilo chega a ser exportado por R$ 100), alguns pescadores não têm o menor escrúpulo em desrespeitar as regras ambientais. Eles agem como uma espécie de máfia e chegam a tomar barcos uns dos outros. Recentemente, soldados do BPA alagoano trocaram tiros com ?pescadores? no litoral próximo a Maragogi, distante 128 quilômetros de Maceió. O desrespeito à piracema (época da desova) e ao defeso do camarão são preocupações do pessoal do BPA. A rede do tipo ?candango?, muito usada no complexo lagunar Mundaú-Manguaba, é uma dor de cabeça para os militares. ?A gente apreende as ?candangos?, porém logo aparecem outras. É uma questão de ganância e falta de educação ambiental?, completou Neuton Bóia de Lima. Revitalização A partir do Projeto de Revitalização da Bacia do Rio São Francisco, o Batalhão de Polícia Ambiental ganhou um grande impulso. Um convênio com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) possibilitou a aquisição de equipamentos indispensáveis ao trabalho de preservação nas cidades ribeirinhas e aquelas incluídas na bacia. Ao todo, são 48 municípios alagoanos beneficiados pelo projeto. Atualmente, o projeto envolve ações do Ibama, Ministério Público, Instituto do Meio Ambiente (IMA) e Delegacia contra os Crimes Ambientais. O subcomandante do BPA informou que o convênio tornou possível a compra de lanchas, viaturas e outros equipamentos para o batalhão. O impulso do convênio com o Ibama trouxe benefícios, também, para o berçário ecológico das lagoas. O major Neuton salientou que, hoje, os mangues recebem atenção especial do BPA. A destruição da flora alagoana está sendo reprimida, existe um trabalho educativo, não apenas no complexo Mundaú-Manguaba, mas em outras lagoas, como de Jequiá e Roteiro. Ele destacou a fiscalização do batalhão da PM na estação ecológica em Murici, com cerca de seis mil hectares de mata atlântica, com a finalidade de evitar a retirada de madeira e captura de animais silvestres. A estação apresenta ampla biodiversidade e abriga o nascedouro dos mananciais de água que abastecem as cidades da região. Compromisso O Batalhão de Polícia Ambiental está sob o comando do tenente-coronel José Vitorino da Silva Filho, um oficial compromissado com a defesa do meio ambiente, a exemplo de todo o quadro de praças e oficiais ? 201 homens -, que realiza um trabalho ininterrupto de prevenção e repressão às infrações ambientais. ?É uma luta pela recuperação, manutenção e melhoria da qualidade de vida dos alagoanos?, resume o tenente-coronel Vitorino. O comandante do BPA afirmou que o combate às infrações é feito mediante policiamento ostensivo, desenvolvido por postos instalados nas principais cidades do Estado, operações em feiras livres, rodovias, matas, reservas ecológicas, áreas de preservação, áreas verdes e de recifes de corais, enfim, onde a natureza esteja sendo agredida. Ele ressalta, porém, a importância do trabalho de educação ambiental. ?Para essa missão, o batalhão dispõe de policiais militares preparados para ministrar palestras educativas dirigidas a crianças, adolescentes e adultos?, completou o tenente-coronel.