Polícia
Acusado em morte é condenado
Ele pediu para ser imobilizado com camisas e lençóis (nas pernas e braços). Amarrei feito um cachorro e ele pediu para ser espancado. O pescoço estava apertado com o cinto, creio que estava muito apertado. Esta é a cena do crime do Motel Oásis, descrita pelo réu José Ricardo da Silva, 45 anos, pedreiro aposentado. Sem poder reagir, o professor de Economia, José da Luz Neiva, 56, morria de asfixia por estrangulamento, enquanto seu algoz o espancava com implacáveis golpes de toalha molhada. No sadomasoquismo, não se deixa marcas, explicou o agressor. De fato, o cadáver foi encontrado sem marcas. Os dois homens passaram mais de três horas, juntos, dentro das quatro paredes da suíte, na noite de 9 de março de 2012. Apenas um deles pôde contar a sua versão e sentou no banco dos réus, ontem, diante do tribunal do júri e do juiz 7ª Vara Criminal, Maurício Brêda. Os segredos de alcova revelados pela investigação do crime do Motel Oásis também trouxeram à tona a tese de um homicídio doloso triplamente qualificado, por motivo torpe (desprezível), fútil (insignificante) e sem chance de defesa, como foi denunciado pelo Ministério Público. Já a defesa sustenta que o réu não tinha intenção de matar, as coisas fugiram do controle e a morte foi um acidente, o que caracterizaria um homicídio culposo, com pena muito mais branda.