Polícia
Assalto leva pânico a hospital

Uma suposta tentativa de assalto, na manhã de ontem, gerou correria e pânico entre funcionários e pacientes em atendimento no Hospital Escola Helvio Auto, no bairro do Trapiche. Três pessoas foram feridas à bala, mas sem maior gravidade. O vigilante Marcos Oliveira e o jovem Davidson Ferreira foram atendidos no Hospital Geral do Estado (HGE) e liberados em seguida. A terceira pessoa teria sido um dos suspeitos, que, mesmo assim, conseguiu fugir em um táxi. De acordo com os relatos, eram por volta de 9h quando dois jovens, um deles possivelmente menor idade e usando mochila e roupa que parecia fardamento escolar, entraram na unidade, como se fossem procurar atendimento. Mas, de repente, apareceram com armas nas mãos e tentaram desarmar o vigilante Marcos Oliveira, que estava de serviço. Ele reagiu. Testemunhas contaram que um dos supostos assaltantes foi ferido na perna e fugiu, deixando para trás um tênis e uma mochila, que foi apanhada na rua por uma jovem ainda não identificada pela polícia. O vigilante Marcos, 48 anos, foi atingido com um tiro no ombro, e o jovem Davidson Ferreira, 24 anos, filho de uma funcionária do Helvio Auto, foi atingido de raspão na perna direita, enquanto aguardava, no estacionamento, dentro do carro, o pai que estava em atendimento médico, com suspeita de AVC. Com o susto, a mãe do rapaz entrou em desespero. Outras pessoas que presenciaram a ação também entraram em pânico e passaram mal. Muita gente se escondeu nas salas e nos banheiros, na hora do tiroteio. Na parede, ficaram marcas dos projéteis. Segundo testemunhas, foram cinco ou seis tiros. O vigilante confessou que reagiu quando os dois jovens, de arma em punho, tentaram pegar sua arma e anunciaram o assalto: Perdeu, perdeu!. A gente sabe que não é o certo reagir numa hora dessa, porque tinha muita gente no local. Mas foi no impulso. Eles estavam com arma em punho. Empurrei um deles e reagi. É o nosso dia a dia. É quase inevitável essa reação, disse ele. Há informações de que um policial à paisana, que estava no local, também teria reagido à ação dos supostos assaltantes. Em alguns minutos, o hospital foi cercado por policiais do Bope e da Radiopatrulha, que fizeram uma varredura no ambiente. Mas nenhum suspeito foi encontrado. Policiais civis do 22º Distrito também estiveram no local da ocorrência e fizeram os primeiros levantamentos para instauração do inquérito. De acordo com o chefe da delegacia, Themildo das Trevas, câmeras em prédios vizinhos podem ajudar a elucidar o caso. Embora a versão mais recorrente seja a de tentativa de assalto, relatos de testemunhas apontam para outras possibilidades que serão investigadas pela polícia. Uma paciente, identificada como Érica, contou que ouviu um dos rapazes falar ao entrar na área de atendimento: Olhe se ela está aí, como se estivessem procurando alguém. A dona de casa Maria dos Prazeres, que estava no hospital acompanhando um sobrinho, disse que se trancou no banheiro quando ouviu o tiroteio, mas foi obrigada a sair. Eles bateram na porta e mandaram eu abrir. Dei de cara com uma arma apontada pra minha cabeça. Pensei que era assalto, fui logo entregando a bolsa e pedindo pelo amor de Deus que não me matassem. Mas eles não quiseram a bolsa, só olharam pra dentro do banheiro, mandaram eu ficar tranquila e saíram, contou. A gerente de gestão da unidade de saúde, Alceny Pereira, disse que a situação de insegurança tem preocupado a todos no local. Isso aconteceu durante o dia, com movimento de pacientes externos. Imagine à noite, o que pode acontecer numa situação dessa. Temos vigilantes, mas estamos trabalhando com medo, apreensivos com qualquer movimento, disse ela. Alceny revelou que a direção da unidade já vem pedindo socorro às autoridades há mais de um ano e que já foi solicitado, por ofício, que sejam feitas rondas policiais frequentes no local, mas isso não tem acontecido. ?