Polícia
Mais de dez anos de crimes sem punição
Rodrigo Cavalcante e Ednelson Feitosa Mesmo que você nunca tenha visto uma das pessoas abaixo, ao menos já ouviu falar nas tragédias que um dia abalaram a vida de todas elas. No dia 16 de dezembro de 1998, a estudante de medicina Adriana Cunha estava estudando para uma prova de neurologia quando sua mãe e seu pai, a ex-deputada federal Ceci e o marido Juvenal Cunha, foram assassinados brutalmente no bairro da Gruta. No dia 28 de outubro de 1998, dona Cleonice estava orando no momento em que seu filho, Sílvio Vianna, foi assassinado numa emboscada em Ipioca. A cantora Nara Cordeiro estava em casa quando seu filho Andresson saiu na noite do dia 22 maio de 1993 para nunca mais voltar. Davi e Danilo Holanda foram um dos primeiros a encontrar o corpo do irmão, o ex-bancário Dimas Holanda, cravejado de balas no Conjunto Santo Eduardo, na Jatiúca, no fim da tarde do dia 3 abril de 1997. Já a dona Carmelita, mãe do vereador Renildo, de Coqueiro Seco, somente soube da morte do filho uma semana depois que ele foi assassinado e degolado, provavelmente no dia 10 de março de 1993. Apesar dos jornais e da televisão terem tornado seus casos famosos (uma das vítimas desses assassinatos, Sílvio Vianna, já é nome de uma das mais movimentadas avenidas à beira-mar de Maceió), a maioria dos autores desses crimes está livre e é possível até que você tenha se deparado, sem saber, com alguns deles em algum bar, loja ou mesmo passeando tranqüilamente por uma das praias de Alagoas. Na Semana da Paz, a GAZETA DE ALAGOAS foi saber em que ponto estão as investigações e os trâmites judiciais de cada um deles. Esses crimes são apenas uma parcela dos casos de impunidade do Estado, diz o advogado Narciso Ferreira Barbosa, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB. É bom lembrar das inúmeras vítimas de chacinas cujos rostos são esquecidos da nossa sociedade, diz o advogado. Assim como os parentes das vítimas, cabe a você, leitor, acompanhar passo a passo o desfecho desses casos, cobrando, inclusive, da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado a agilização desses processos que, por enquanto, são retratos da impunidade em Alagoas.