Polícia
Caso Klebson: polícia pede quebra de sigilo de celular
Felipe Farias Repórter O estudante Klebson Almeida recebeu quatro ligações em seu celular, pouco antes de ser morto. As chamadas foram feitas no percurso entre a casa de espetáculos em que Klebson assistiu a um show musical e o entrocamento da Via Expressa com a Avenida Menino Marcelo, onde foi assassinado. O delegado do caso, Fernando Arthur dos Santos, informou já ter solicitado à Justiça a quebra do sigilo telefônico de Klebson e cogita que, se a ligação não foi feita de um telefone público, essa pista pode revelar até quem seria o assassino. Em todas as vezes, a pessoa do outro lado da linha não disse nada, acrescentou. A informação foi prestada ontem, quando o delegado presidiu uma acareação entre Célia Regina Matias, ex-namorada de Klebson, e Davi Peixoto Gerbase, suposto conhecido de Charles Alexandre França, o Charlão, que em julho do ano passado comandou um espancamento em Klebson, numa boate de Jaraguá. A agressão foi gravada em vídeo sem que os acusados soubessem, e serviu de base para um processo na Justiça, que fez com que Charlão e os outros três envolvidos - todos praticantes de lutas marciais - passassem quatro meses na prisão. De acordo com o delegado, na acareação, Célia Regina manteve a versão que dera em seu depoimento: de que, ao receber uma carona de Davi Peixoto Gerbase, ouviu-o fazer referências a Charlão e que, ao chegar num bar de Jacarecica, viu uma pessoa chamá-lo de pitboy. Mas, segundo Fernando Arthur, Davi nega. Alguém está escondendo alguma coisa. Se ocorreu mesmo, por que esconder? Por isso é que a próxima etapa é conferir essas informações para saber onde está a mentira e se há envolvimento de mais alguém. Charlão e pitboys Fernando Arthur disse também que ainda não há elementos que permitam estabelecer uma relação entre o assassinato de Klebson e o espancamento que sofreu em julho do ano passado. O caso, conhecido como pitboys, levou os quatro agressores para a prisão, mas uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ)) fez com que eles fossem liberados. Nenhum dos ?pitboys? foi citado formalmente na investigação sobre o assassinato. A única referência ao Charlão, por exemplo, foi feita pela mãe de Klebson. E, mesmo assim, como não presenciou o fato, ela tem a suspeita, mas não o acusa diretamente, explicou. Segundo o delegado, mesmo que se encontrem provas de que Davi foi aluno de Charlão, como se cogita, isso não constitui um elo entre os dois casos. O advogado de Charlão e Leandro Albuquerque Ferro (Leleco), autores da agressão a Klebson, Raimundo Palmeira, informou que eles estão no Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. Para a defesa de ambos, esse é um dos principais argumentos a seu favor. Os estudantes de classe média Pablo de Mendonça e Laércio Araújo continuam presos no 9º Distrito.