Polícia
Juiz ameaçado manda prender suspeitos
Maikel Marques Sucursal Arapiraca - O juiz Maurício Brêda, de Piaçabuçu - litoral sul do Estado - acatou parecer do promotor Luiz Antônio Santos e determinou, ontem pela manhã, a prisão temporária do policial militar Adilson Dias Santos e de dois funcionários da Companhia de Abastecimento d´Água e Saneamento de Alagoas (Casal): Ademildo Dias Santos e Damião Caetano. Os três são alvo de investigação do Ministério Público (MP) e suspeitos de participação direta em três crimes praticados no município, considerados pela Polícia Civil como de autoria desconhecida. Damião Caetano e os irmãos Ademildo Dias Santos e Adilson Dias Santos receberam notificação do juiz Maurício Brêda e compareceram ao Fórum da cidade, onde receberam voz de prisão. Segundo apurou a reportagem da Gazeta, um dos três suspeitos teria ameaçado invadir o Fórum com objetivo determinado: fuzilar o juiz Maurício Breda e o promotor Luiz Antônio Santos. Só não conseguimos identificar qual dos três ameaçou nos matar, informou o promotor Luiz Antônio Santos. Crimes Com a prisão dos suspeitos, o MP espera solucionar três crimes. Damião Caetano é suspeito de intermediar a morte de Claudiano dos Santos, funcionário de uma pousada na Praia do Peba e morto por três pistoleiros no dia 28 de junho de 2003. Ademildo Dias é suspeito de participação no duplo homicídio de Joan Ramalho Bastos e Ronaldo Moura Santos. O crime aconteceu em agosto de 2004. O PM Adilson Dias Santos é suspeito de participação na morte de Zezito Gonçalves, pedinte cujo corpo foi carbonizado no centro de Piaçabuçu. Maurício Brêda e Luiz Antônio Santos começaram a receber ameaças de morte quando passaram a investigar pelo menos dez crimes de homicídio praticados no município e que teriam envolvimento de figuras influentes na cidade. Até hoje, no entanto, os crimes são considerados insolúveis pela polícia do município. Faltou empenho por parte da polícia para elucidar os crimes. Os inquéritos sempre chegavam à Justiça sem identificação de autores ou suspeitos. Se fossem crimes políticos, acho que já teriam sido solucionados, critica o promotor. ### Promotor teme morrer e põe grades em sua sala no Fórum Vítima de ameaças anônimas de morte, o promotor de Piaçabuçu, Luiz Antonio dos Santos, teme pela sua vida e não poupa críticas à Secretaria de Defesa Social, que ainda não se pronunciou sobre o pedido de reforço policial para garantir sua integridade física. Um mês depois do início das ameaças, o promotor conta com um único policial militar cedido pela Assessoria Militar da Procuradoria Geral de Justiça. Para se prevenir de um atentado, o promotor garante: Não saio do fórum nem me pagando. Não me sinto seguro na cidade. Enquanto o reforço policial solicitado ao governo do Estado não chega, o promotor decidiu tomar outra precaução. Ele diz ter investido do próprio bolso 500 reais para pagar uma grade que fica atrás da porta de seu gabinete. Trabalho preso e atrás das grades para me precaver das pessoas que ameaçam minha integridade física, revelou. Nos três crimes atribuídos aos acusados presos ontem, o promotor descartou o envolvimento de pessoas influentes de de Piaçabuçu. As investigações dos demais crimes continuam e podem apontar o envolvimento de outras pessoas. Algumas delas, influentes, avisa. Preocupação As ameaças de morte ao juiz da comarca de Piaçabuçu, Maurício César Brêda, despertaram preocupação do presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), desembargador Estácio Gama. Ele pediu à Secretaria de Defesa Social uma ação rápida e eficaz para garantir o trabalho do magistrado. O juiz me disse que algumas posições estavam sendo tomadas e isso trazia ameaças a sua vida, disse Gama. De acordo com o presidente do TJ, no dia 15 de março foi encaminhado um ofício à Secretaria de Defesa Social, sugerindo até que um agrupamento do Batalhão de Operações Especiais (Bope) fosse a Piaçabuçu para que todas as denúncias apuradas pelo juiz fossem investigadas. Foi um ofício firme, completou o desembargador.