Polícia
Polícia sem pista sobre morte de negociante
Carla Serqueira O mistério sobre a morte do negociante Jaime Leandro dos Santos, encontrado queimado, na quinta-feira, dia 31, dentro de um carro Gol, na fazenda Santa Luzia, em Matriz do Camaragibe, é maior do que se pensava. A polícia, nas diligências que realizou ontem, ouviu Ivonete Maria de Souza Azevedo, esposa da vítima, e Elói Augusto dos Santos, um dos últimos a fechar negócio com Jaime numa troca de carro. Os policiais também foram à Caixa Econômica Federal de Porto Calvo, onde testemunhas dizeram ter visto a vítima na véspera de sua morte. Jaime teria ido trocar cheques no valor de R$ 7 mil, mas a versão não foi confirmada pelo banco. Segundo o chefe de operações da delegacia de Matriz do Camaragibe, José Cláudio, nenhuma movimentação financeira foi realizada em nome de Jaime Leandro. As linhas de investigação que sustentavam um envolvimento de Ivonete no assassinato do marido, de quem estava separada há uma semana, também foram desconsideradas pela polícia. No depoimento, ela negou estar brigada com Jaime e os dois estavam prestes a reatar a relação. Não existe nunhuma acusação contra ela, revelou José Cláudio. Jaime, ultimamente, estava negociando com troca de veículos. Elói Augusto dos Santos, de 31 anos, tinha uma Besta, que trocou com a vítima por uma Sprinter, em fevereiro deste ano. A troca foi de um carro pelo outro, sendo que cada parte assumiria as parcelas restantes do financiamento, explicou o delegado Belmiro Cavalcante, que estava de plantão ontem na delegacia de Matriz. De acordo com o depoimento de Elói Augusto, a Besta tinha 10 prestações de R$ 759 para serem pagas e a Sprinter, 36 de R$ 1.373. Jaime não pagou nenhuma prestação e eu já tinha pago duas, revelou Elói Augusto, afirmando que havia entrado num consenso com a vítima. Eu paguei a primeira dele para ele pagar junto com a segunda prestação. No início desta semana, Elói ficou sabendo que Jaime tinha feito uma nova troca. Desta vez, trocou a Besta - que ainda não estava em seu nome - pelo Gol Bola, no qual morreu incinerado. Ele ainda estava passando a Sprinter para o meu nome, afirmou Elói. Segundo testemunhas, quando soube da troca, Elói teria dito que ele [Jaime] não deveria ter feito isso, num tom de ameaça. No entanto, na polícia, ele negou ter pronunciado a frase. Comentários na cidade indicaram que Elói teria dito, mas nenhuma testemunha veio afirmar nada, disse Belmiro Cavalcante.