Polícia
Justiça manda Silva Filho a júri popular
Felipe Farias Repórter O juiz da 3ª Vara Criminal, José Braga Neto, determinou que o ex-tenente PM José Luiz da Silva Filho vá a júri popular, pela acusação de ser um dos autores do assassinato do tributarista Sílvio Vianna. A sentença de pronúncia será comunicada à defesa do ex-militar para que seus advogados possam se pronunciar. Em seguida, será marcada a data do julgamento. Silva Filho será o terceiro dos quatro acusados de envolvimento na execução de Sílvio Vianna a ser levado ao banco dos réus. Em fevereiro do ano passado, o ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante e o ex-soldado Garibalde Amorim foram condenados a 19 anos de prisão pelo crime. O quarto acusado, o fazendeiro Fernando Fidélis, ainda não foi julgado. Segundo o representante do Ministério Público na 3ª Vara, promotor Marcus Aurélio Gomes Mousinho, a decisão do magistrado se baseia no resultado de uma diligência feita pelo delegado do caso na época, Mário Pedro dos Santos, sobre as ligações telefônicas realizadas pelo deputado estadual João Beltrão (PMDB), que serviram como álibi de Silva Filho. Mousinho esclareceu, porém, que essa diligência não se constituiu na quebra do sigilo telefônico, porque a relação das chamadas não foi fornecida em documento oficial da companhia telefônica, mas datilografada pelo próprio delegado, com base nas informações apuradas pela investigação. Foi com base nisso que o promotor deu parecer contrário à pronúncia, ou seja, discordando de mandar Silva Filho a julgamento. A alusão ao nome de Silva Filho foi feita durante as novas apurações feitas sobre o caso, a partir das declarações de José Antônio dos Santos, o Sombra, que apareceu durante o julgamento de Cavalcante e Garibalde, no ano passado, apontado como testemunha-bomba, por apresentar informações que até então as autoridades não possuíam. deputado como álibi A versão apresentada pelo deputado João Beltrão, que serviu como álibi para Silva Filho, dava conta de que o deputado estava em sua companhia, em Arapiraca, quando soube pela Rádio Gazeta do assassinato de uma pessoa importante. Beltrão ligou então para o repórter Gonça Gonçalves, para saber detalhes do caso. Essa ligação realmente consta da relação elaborada pelo delegado Mário Pedro, mas ela teria sido feita na véspera - não no dia do crime, explica Mousinho. Ainda assim, como a relação de chamadas não constava de documento oficial da companhia telefônica, não a levou em conta ao analisar a pronúncia de Silva Filho. E acrescentou que até agora não encontrou elementos vinculando-o ao crime. Na verdade, a partir das novas informações prestadas pela testemunha Sombra, nós não encontramos nenhum elemento que possa incriminar Silva Filho, vinculando-o ao assassinato de Sílvio Vianna, informou.