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Maceió é a 3ª capital em assassinatos

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Bleine oliveira Repórter De cada 100 mil habitantes de Maceió, 51,14 correm o risco de ser assassinados. O número é elevado e, segundo reportagem publicada pela revista Época desta semana, Maceió só perde para Recife (PE) e Vitória (ES), em risco de homicídios entre todas as 27 capitais. A matéria de Época foi baseada em uma pesquisa inédita do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, do governo federal, quen traçou o ranking das cidades onde há maior risco de homicídios, e a capital alagoana surge como a 3ª capital mais insegura do País. A colocação é questionada pelo secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, assegurando que o número de homicídios caiu nos últimos dois anos. Temos números reais do Instituto Médico Legal Estácio de Lima, que comprovam essa redução, afirma Davino. A reportagem mostra que os pesquisadores trabalharam com dados do Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e com os últimos registros de óbitos do Ministério da Saúde. No documento Análise da Distribuição dos Homicídios nas Regiões Metropolitanas, o ministério mostra que, entre 1998 e 2002, Maceió concentrou 84,2% do total de vítimas de homicídios registrados. Mas ressalta que cerca de 80,4% da população da Região Metropolitana concentrava-se nesse município. Assassinatos Ainda segundo pesquisa do Ministério da Saúde, a taxa de vítimas de homicídios em 2002, em Maceió, foi de 51,1 registros por 100 mil habitantes. A maioria das vítimas era do sexo masculino (94%), sendo que a maior parte tinha entre 15 e 24 anos de idade (48%). Depois de analisar as cidades mais seguras do País, a pesquisa do Ipea considerou os riscos somente nas capitais. Nos dois casos, Maceió aparece em destaque negativo. O instituto mostra que o risco de homicídio só é mais alto em Vitória (ES) e em Recife (PE). Na capital do Espírito Santo, o risco é de 54,99 por cada 100 mil habitantes, número que sobe para 66,38 na capital de Pernambuco. NATAL É SEGURA O trabalho do Ipea mostra que a situação é grave em todo o Estado. Segundo a reportagem da revista Época, 11 pernambucanos são assassinados todos os dias. Em Olinda, o risco é de 92,29 mortes por cada 100 mil pessoas. Pela pesquisa, a capital menos insegura é Natal (RN), onde o risco é de 18,59. Mas a revista ressalta que a capital potiguar tem alguns dados que contam em seu favor. É 100% urbana e tem uma população relativamente pequena, apenas 745 mil habitantes. Essa combinação facilita investimentos em infra-estrutura e as ações policiais. ### Não é possível viver com tanto medo O alagoano Cícero Vieira, que prefere não ser fotografado, teve um filho assassinado. A morte do comerciário Tony Herbert Vieira, de 23 anos, em novembro do ano passado, mudou a vida de toda a família, revela o pai. A população se sente insegura, teme sair de casa, declara Cícero. A mãe de Tony, Vera Lúcia Roberto da Silva, não se conforma com a morte do seu filho. É grande a dor de perder um filho, mais ainda da maneira que me tiraram, afirma. A rotina da feirante do Mercado da Produção mudou depois que seu filho foi assassinado. Hoje ela pensa em ir embora de Alagoas, não por medo de morrer ou para tentar amenizar o sofrimento, mas para evitar que seus outros três filhos possam ser alvo dos assassinos que mataram Tony. Só quero sair daqui se for para outro Estado, não apenas para mudar de bairro. Quero ir embora para recomeçar a vida, acrescentou. Não é possível viver com tanto medo, completou o pai de Tony, Cícero Vieira. Ele se refere ao fato de, por duas vezes, uma viatura da Radiopatrulha ter sido vista nas proximidades da casa. Eles ficavam dentro do carro, observando a gente. Fica todo mundo com medo de também morrer, pois eles [os assassinos de Tony] sabem onde moramos, disse. Quatro policiais militares são os principais suspeitos do assassinato de Tony. O coordenador de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL), Narciso Fernandes Barbosa, evitou comentar os dados da pesquisa Ipea, mas disse que o número de homicídios registrados em Alagoas é alarmante. De acordo com ele, a pesquisa revela realmente uma face de Maceió já reconhecida e mostrada ao público. INSEGURANÇA A própria Ordem dos Advogados do Brasil tem levantamento sobre assassinatos, mas como não se trata de pesquisa com caráter científico, apenas publicações de jornais, não pode usá-lo para fazer comparações. De qualquer modo, vivemos diante da possibilidade permanente de insegurança na capital alagoana. E a sociedade precisa se organizar e cobrar mais ação do poder público, afirma o coordenador de Direitos Humanos da OAB, Narciso Fernandes. ### SDS rechaça IPEA e vê índices positivos em AL O secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, contestou os números da pesquisa do Ipea. Para ele, não está claro de onde foram retiradas as informações que apontam Maceió como a 3ª capital mais insegura do País. Davino vai mais longe e garante que as estatísticas oficiais mostram redução de menos 0,69% no número de homicídios em todo o Estado, no comparativo entre os anos de 2003 e 2004. A redução é mais significativa no índice de assassinatos com arma de fogo, que foi de menos 5,07%. Nos relatórios do Departamento de Estatística da SDS os dados são elaborados com base em informações dos institutos médicos legais de Maceió e de Arapiraca. Segundo o Deinfo, em 2003 foram registrados 531 homicídios em Maceió. O número subiu para 537 em 2004, mas registrou uma variação de menos 7,37% nos assassinatos praticados com arma branca.

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