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Presas fazem motim contra castigos

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Carla Serqueira Repórter A manhã de ontem foi de tensão no presídio feminino Santa Luzia, no Tabuleiro do Martins. Por volta das 8h, dezoito detentas iniciaram um motim e fizeram uma presa refém. Quinze colchões foram queimados, três celas destruídas e uma parede derrubada. No Santa Luzia estão presas 66 mulheres. A situação ficou controlada cerca de uma hora depois. Na área externa do presídio, homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros ficaram de prontidão enquanto a confusão era contida pelas agentes penitenciárias. Às 10h a direção do presídio se reuniu com as 12 presas que lideraram o motim; com o secretário executivo de Ressocialização, Valter Gama; o Grupo de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar e com a presidente da Associação de Proteção e Assistência Carcerária de Alagoas (Apac), Maria Helena. A imprensa não teve acesso à reunião. Terminada a conversa entre as autoridades e as detentas, a diretora-geral do presídio, Sheila Cristina de Andrade, informou não saber o motivo do motim. Até agora estou sem saber ao certo o que incentivou as detentas. Foi só baderna, avaliou. Perseguição As reivindicações das presas, segundo ela, são referentes à perseguição de algumas agentes penitenciárias. Elas reclamaram de gritos que levam das agentes e dos castigos que recebem. Outra reivindicação seria a falta de atendimento médico, mas a direção do presídio rebateu a acusação, apresentando os prontuários de consulta. Todas têm médico. Agora mesmo, uma detenta foi encaminhada ao dermatologista, afirmou a diretora. Sheila Cristina disse que os castigos são aplicados quando as presas descumprem as regras internas. Quando encontramos drogas nas celas e objetos cortantes, como lâminas que elas retiram dos barbeadores, ou mesmo facas, encaminhamos as reeducandas para a triagem, e quando isso ocorre, elas se revoltam com a decisão, explicou. Durante a confusão, a reeducanda Josefa Lopes da Silva, de 55 anos, passou mal por causa do nervosismo e foi encaminhada para a enfermaria. A diretora do presídio Santa Luzia, Sheila Cristina, afirmou que um dos principais problemas é não haver revistas íntimas nos dias de visita. Todas as quintas e domingos as reeducandas recebem visitas. Como não podemos fazer as revistas, muita droga entra escondida. Se não flagrarmos na hora em que a droga é repassada, nada pode ser feito. Não podemos castigar sem provas, disse Sheila. Fugas e drogas O secretário executivo de Ressocialização, Valter Gama, expôs a situação prisional do Estado. Ontem e anteontem, presos do Baldomero Cavalcanti tentaram fugir. Na primeira oportunidade, através de um túnel; e na segunda, pela laje do prédio. O clima realmente não é bom no sistema prisional, mas está controlado, afirmou. Valter Gama disse que Alagoas é o único Estado do Brasil que não faz revista íntima em presídios. O pessoal que faz direitos humanos neste Estado acha que a revista íntima é um constrangimento. Pode até ser, mas é uma necessidade de segurança. É por aí que estão entrando drogas e muitas outras coisas, revelou. Na visão do secretário, as drogas determinaram o motim na penitenciária feminina. Se não estivessem drogadas, não teriam feito o que fizeram. Toda tentativa de fuga e rebelião tem droga no meio, frisou Valter Gama. Segundo ele, os entorpecentes que são mais apreendidos nas celas são maconha e comprimidos de Rivotril e Ruphinol, na maioria das vezes. As detentas que lideraram o motim foram encaminhadas para a triagem. A triagem é uma sala isolada. Como só temos quatro salas e duas estão ocupadas, vamos ter que dividir as presas nas que restam, explicou a diretora do presídio, sem exatamente saber por quanto tempo.

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