Polícia
Mãe de suspeito dribla a polícia
Ednelson Feitosa Repórter Benedito Antônio da Silva, uma das vítimas do golpe do seguro, será ouvido hoje pelo delegado de Investigações e Capturas (Deic), Denisson Albuquerque. Ele deve informar à polícia como a quadrilha entrou em contato com ele e qual era seu envolvimento com Lenira Maria da Conceição, que aparece numa apólice de seguro de vida como sua companheira, pessoa que receberia R$ 175 mil de indenização caso ele morresse. Lenira Maria é mãe do principal acusado do golpe, Renato Patrício da Silva. Ele está preso como líder da quadrilha que teria provocado a morte de, pelo menos, duas pessoas para o recebimento do seguro de vida. Segundo a polícia, o bando se aproximava de homens doentes, fazia o seguro e apressava sua morte, usando cigarros e bebidas envenenados. As vítimas eram tuberculosas ou alcoólatras. Na manhã de ontem, Lenira deixou de comparecer no Deic para interrogatório. Ela mandou um atestado médico, alegando estar com problemas de hipertensão. Foi a segunda vez que ela não apareceu para depor. No entanto, a mãe de Renato já foi ouvida no início das investigações e alegou inocência. Com o depoimento de testemunhas e novos indícios, ficou evidente que ela entrou em contradição. Apólices Lenira é beneficiária em três das quatro apólices de seguro descobertas pela polícia. Ela aparecia como companheira de Luiz Pereira de Azevedo, que morreu no ano passado, e recebeu R$ 50,8 mil . A família de Luiz garantiu à polícia que ele estava bem, recebeu uma visita de Lenira e morreu logo em seguida. Lenira chegou a receber o dinheiro. Os parentes acham que ele nem sabia que tinha seguro de vida. Lenira receberia mais R$ 175 mil se Benedito morresse, porque aparece como sua companheira na apólice. Além de Lenira, um irmão de Benedito, Edilson da Silva, aparece como beneficiado. Edilson afirma que nem ele nem o irmão tinham conhecimento do seguro. A suspeira também era companheira, segundo a seguradora Mongeral, de José Batista da Silva, o Zé Gotinha. Se ele morresse, ela receberia R$ 175 mil. Deveriam receber parte do dinheiro o filho de Lenira, Renato Patrício, e o comerciário José Nilton dos Santos, já indiciado no inquérito. Ele confessou que ajudava a pagar o seguro. O golpe foi descoberto após a segunda morte. Renato Patrício se preparava para receber R$ 100 mil e ainda uma pensão vitalícia de R$ 1.300,00 da apólice que tem como vítima José Manoel dos Santos Neto, o Quinhentos, falecido no ano passado. Como havia feito os quatro seguros na mesma empresa, houve a investigação que constatou o golpe. Na próxima segunda-feira, o delegado vai realizar acareação entre Marta Valério, esposa de Renato, e o corretor José Adelson de Medeiros, que entraram em contradição no primeiro depoimento. Eles fizeram o seguro de Zé Gotinha, uma das vítima que sobreviveram à ação da quadrilha.