Polícia
Clientes cancelam contratos suspeitos
Marcos Rodrigues Repórter O golpe do seguro de vida, que vem sendo investigado pela Delegacia de Investigações e Capturas (Deic), pode ter envolvido outras vítimas no Estado. A informação foi dada ontem pelo delegado Denisson Albuquerque. Segundo ele revelou, um reprepresentante da empresa Mongeral deu pistas sobre possíveis novas vítimas. Ele [o funcionário] compareceu à delegacia e acabou revelando que titulares de apólices de seguro de vida, depois da divulgação do golpe, pediram cancelamento do contrato, adiantou Denisson, sem revelar o nome do funcionário e acrescentando que irá apurar esse novo detalhe. Os primeiros levantamentos apontam para o envolvimento do principal suspeito do golpe, Renato Patrício da Silva, preso preventivamente desde o início das investigações. O chefe das investigações disse também que irá manter a linha do inquérito, com os dados já confirmados. As novas informações também serão apuradas para figurarem no inquérito. Ontem, foram ouvidos no Deic o corretor Adelson José de Medeiros e Marta Angélica de Castro. Os dois foram submetidos a uma acareação, para esclarecer alguns detalhes sobre como foram obtidos os documentos para a legalização dos contratos de seguro de vida e como funcionava o seu registro na empresa. Adelson voltou a afirmar que é inocente e apontou Marta como responsável pelo contato com o segurado José Batista da Silva, o Zé Gotinha. Em caso de sua morte, seriam pagos R$ 175 mil ao beneficiário. Não tive em nenhum momento contato com essa pessoa. Todo o acerto foi feito pela Marta. A mim coube a entrega da documentação para a aprovação da Mongeral. Se notasse alguma ilegalidade, não levaria nada adiante, explicou Adelson, admitindo que falhou em não verficar detalhes da operação. Ele disse que tem contado com o apoio da empresa Mongeral, que foi quem detectou a irregularidade nas apólices de seguro de vida. Mesmo admitindo não ter relação com o golpe, Adelson mantém um contrato informal com Marta para a captação de clientes. Segundo o compromisso que mantinham, Marta ficava com a comissão da venda do negócio, pago pela Mongeral, enquanto ele se beneficiaria do percentual mensal do valor do contrato. Mas, ontem, o clima entre os dois não foi nada amistoso. Diante do delegado Denisson Albuquerque, eles mal se olharam e mantiveram suas versões para o caso. Para o delegado ainda não existem indícios da participação direta de Marta e Adelson no golpe e o encontro serviu para eliminar dúvidas para a conclusão do inquérito. ### Mãe de acusado deve depor na quinta A outra suspeita de envolvimento com o golpe do seguro, Lenira Maria da Conceição, deve ser ouvida na próxima quinta-feira (15). Ela é considerada peça chave para as investigações, porque aparece como beneficiária das vítimas de seu filho, Renato Patrício da Silva. É o único depoimento, e um dos mais importantes, para que possamos concluir o inquérito e o remetê-lo para a Justiça. Com isso e mais os dados colhidos, fechamos a investigação, disse o delegado Denisson Albuquerque. Lenira deveria ter prestado o seu segundo depoimento na semana passada, mas foi liberada porque alegou doença. Segundo um atestado enviado ao Deic, ela se encontrava com problemas de pressão alta. Com isso, conseguiu adiar por oito dias o encontro com o delegado. A principal dúvida que persiste sobre o caso é definir qual a real participação de Lenira. Sua assinatura aparece nas apólices, o que sugere o seu envolvimento. Porém, não está descartada a possibilidade de os documentos terem sido falsificados. Em seu primeiro depoimento, depois da prisão do filho, Lenira não convenceu a polícia. Com o avanço das investigações, ficaram confirmadas várias contradições. Um outro ponto que também será esclarecido é quanto à a participação dela no contato com as vítimas do golpe. Beneficiária A mãe de Renato aparece como beneficiária do golpe que teria sido montado pelo filho, que está preso. Nos documentos entregues à empresa Mongeral, ela aparece como companheira dos segurados. Em pelo menos três das quatro apólices descobertas pela polícia, Lenira aparece na condição de esposa das vítimas. Foi o que ocorreu no caso do benefício pago pela morte de Luiz Pereira de Azevedo, que lhe rendeu R$ 50 mil. Ela também figura como futura beneficiária nas apólices de José Batista da Silva, o Zé Gotinha, de quem receberia R$ 175 mil, e de José Manoel dos Santos Neto, o Quinhentos, falecido no ano passado. A proximidade das mortes e a presença dos mesmos beneficiários foi o que levantou as suspeitas da seguradora. Depois de levantamentos internos, foi descoberto o golpe. Até o momento, a empresa não se pronunciou sobre o caso. Ação O delegado Denisson Albuquerque descobriu que o envolvimento com as vítimas se dava num clima de ajuda. Até onde descobrimos, as famílias das vítas gostavam dos acusados. No caso do Renato, ele era visto como uma pessoa amiga. Só que isso tinha uma outra intenção, lembrou Denisson. Renato é conhecido no Mercado da Produção, na região onde ficam os bares, por sempre estar mantendo contato com alcoólotras. As investigações confirmaram que pessoas com características marcantes (pernas e rosto inchados pelo álcool) eram convencidas a ceder seus documentos em troca de ajuda com alimentos. Depois, entrava em ação o processo de acelaração da morte, com veneno.|MR