Polícia
Macléia: inquérito pode ser arquivado
Bleine Oliveira Repórter Se não ficar provado que o corpo encontrado no município de Boca da Mata é o de Macléia Santos de Souza, não restará ao Ministério Público outro caminho senão pedir o arquivamento do inquérito policial que investiga o desaparecimento da jovem de 23 anos, que sumiu em 2 de fevereiro. Ontem, o promotor público Nilson Miranda, de Atalaia - onde Macleía desapareceu -, disse que vai aguardar a devolução do inquérito policial para se pronunciar oficialmente, mas admite que a polícia está em dificuldade para provar a materialidade do suposto assassinato. Ao Ministério Público só resta esperar pelos resultados oficiais. Mas adianto que preciso de fatos reais para denunciar os supostos autores do crime - disse o promotor. Embora ressalte que não oficialmente, mas por meio da imprensa, Nilson Miranda tem acompanhado os fatos relativos aos dois exames realizados para comparar o DNA da ossada que se supõe ser parte do corpo de Macléia com o de sua mãe, Inês Santos de Souza, e de seu filho de dois anos. Os dois exames resultaram incompatíveis, ou seja, o geneticista Luís Antônio Ferreira da Silva, da Ufal, descartou que a pessoa a quem pertenceu aquele osso seja a mãe do menino ou filha de Inês. Há informações de que o delegado Ednaldo Marques pretende solicitar novos exames de DNA, desta vez com os irmãos de Macléia. Mudança O delegado tem demonstrado todo interesse em chegar aos culpados, mas o que se viu até agora é especulação. Não há provas suficientes para a denúncia - declara o promotor Nilson Miranda. Se o resultado dos novos exames for de incompatibilidade, não restará ao delegado alternativa senão admitir que o corpo achado em Atalaia não é o de Macléia e remeter o inquérito à Justiça sem confirmar que a jovem foi assassinada. Neste caso, o promotor Nilson Miranda vai recomendar ao juiz da comarca de Atalaia, Manoel Tenório de Oliveira, que o inquérito seja arquivado por falta de materialidade, ou seja, por não haver o corpo de Macléia. Sem o corpo, ensina a doutrina jurídica, não há crime. Ontem, o Diário Oficial do Estado publicou a substituição do delegado de Atalaia, Ednaldo Marques, que investiga o caso. Ele foi transferido para o 1º Distrito da 4ª Região Policial, no município de Santana do Ipanema. Em seu lugar assume o delegado Tarcísio Vitorino da Silva, que deixa a Delegacia de Jaramataia. Para Ednaldo Marques, não há relação entre sua transferência e o inquérito sobre o caso Macléia. Trata-se de ato administrativo normal - disse ele. Foi Ednaldo Marques que investigou o caso desde a queixa da mãe de Macléia, de que a filha sumira sem deixar vestígios.A investigação apontou o mototaxista José Sérgio e a fazendeira Amália Omena Lopes como responsáveis pelo seqüestro e possível morte da jovem. A fazendeira é casada com o juiz da comarca de Anadia, Willamo Omena Lopes, com quem Macléia Souza teve um relacionamento amoroso e um filho. O ciúme da esposa, Amália, teria sido a causa da suposta morte da jovem. Segundo a polícia, Amália Lopes contratou o mototaxista José Sérgio, que chegou a ser preso como executor do crime, para eliminar a jovem amante do juiz. Só que essa verdadeira novela pode ficar sem o capítulo final, se a polícia não encontrar o corpo de Macléia de Souza. Por enquanto, há diversas especulações sobre o que teria ocorrido desde o momento em que a polícia recebeu a queixa do sumiço da jovem. De positivo, até agora, a decisão do promotor Nilson Miranda de solicitar a Defensoria Pública Estadual que impetre ação de reconhecimento de paternidade para que o filho de Macléia possa ter um nome civil. O primeiro passo é a declaração da avó, que vai ao cartório registrar o menino como filho de Macléia. Depois, vai representar contra o juiz Willamo Lopes, para que ele reconheça a paternidade, por meio de exame comparativo de DNA, se não o fizer voluntariamente, e dê condições para a educação do filho.