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Sem-terra executado em acampamento

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Marcos Rodrigues Repórter O agricultor sem-terra Otoniel Pessoa, integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), foi executado a tiros de espingarda, ontem, por um companheiro do movimento, identificado apenas como Felipe. O crime ocorreu no acampamento Buenos Aires, pertencente ao MST no município de Maragogi. Até o começo da noite de ontem o corpo do agricultor ainda não tinha sido trasladado para o Instituto Médico Legal (IML), em Maceió. Segundo fontes ligadas ao movimento, o local é de difícil acesso. A polícia de Maragogi foi acionada, mas não conseguiu maiores informações sobre o militante acusado de ter atirado em Otoniel. Hoje, as investigações serão retomadas. Depois de cometer o crime, numa área próxima aos barracos de lona, Felipe evadiu-se do local fugindo pela mata. Alguns militantes do MST tentaram organizar uma busca, mas não tiveram sucesso. As primeiras informações sobre o crime são de que a vítima teve um desentendimento com Felipe, por ele ser novo no movimento e não respeitar regras de conduta. O consumo de álcool também aparece como motivo para o assassinato, de acordo com a polícia. Clima de tensão As evidências de descontrole, como a presença de um militante armado dentro do acampamento, não são reconhecidas pelo coordenador estadual do MST, José Roberto. Segundo ele, mesmo com a provável motivação pessoal, o assassinato de ontem sofre a influência da falta de respostas às reivindicações do movimento. Se formos observar com detalhe esse problema, ele também é reflexo do atraso dos processos de reforma agrária. A violência é motivada porque existe um clima de tensão nos acampamentos. Se os trabalhadores estivessem assentados, a situação era outra. Por isso eu não duvido nada que outras mortes possam acontecer, avisou José Roberto por telefone. Na avaliação dele, o episódio envolvendo um militante é um fato isolado que não se mistura com os rumos do MST. fim de semana violento No fim de semana dois trabalhadores de assentamentos existentes na região Norte do Estado foram assassinados. A primeira morte aconteceu num assentamento localizado no município de Porto Calvo. A vítima, morta a tiros, foi o trabalhador Manoel Alves da Silva. Segundo os primeiros levantamentos da polícia, ele foi executado depois de uma briga dentro do assentamento com um outro agricultor identificado apenas como Nem da Cicinha. A polícia não tem pistas do suspeito. A segunda morte também foi no município, mas numa outra fazenda. Trata-se do agricultor Manoel Cipriano da Silva, conhecido como Seu Nezinho. Ele foi morto com um tiro de espingarda disparado por um vizinho identificado como Bi. Segundo os primeiros levantamentos, Nezinho teria tido um desentendimento com o irmão do assassino.

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