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Polícia apura assassinato de professor

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Marcos Rodrigues Repórter A Delegacia do 3º Distrito está investigando, desde ontem, a morte do professor de inglês Maurílio Ferreira da Silva, 39, assassinado com uma facada nas costas. O crime aconteceu na casa da vítima, no início da noite, no bairro do Mirante da Sereia. As investigações são comandadas pelo delegado Antônio Monteiro. Segundo informações de vizinhos, o professor estava em companhia de um rapaz do próprio bairro, em sua casa. Depois de algumas horas, foram ouvidas vozes em tom alto, que sugeriam uma discussão de Maurílio com o jovem. Em seguida, de acordo com vizinhos, o professor correu atrás de seu agressor por cerca de 100 metros. A vítima já se encontrava ferida, com uma perfuração de faca pelas costas, à altura do coração. Depois, Maurílio caiu, agonizou e morreu no local, sem que pudesse ser socorrido. Comportamento A primeira equipe que chegou ao local foi a da Operação Litorânea (Oplit). Em contato com vizinhos de Maurílio, os policiais foram informados de que ele era homossexual, e era visto com freqüência na companhia de outros homens. Maurílio morava só e estava há pouco tempo no local. O contato com a vizinhança era mínimo. Pouco se sabia sobre a vida do professor, que tinha hábitos reservados. A família de Maurílio contou no IML que ele escolheu morar longe de todos, mas mantinha contatos esporádicos para obter informações da família. Ontem, sua irmã Marilene Ferreira ainda estava atônita com a notícia da morte. Ele era uma pessoa que não bebia, não fumava. Sempre muito calmo e educado, só bebia quando estava com a família, disse, enquanto resolvia detalhes do sepultamento do irmão. Ao falar de Maurílio, ela destacou sua formação como professor de inglês. Ele trabalhou durante dez anos na Universidade de Roraima. Em Maceió, seu currículo é vasto. Escolas como o Cefet e o Colégio São José aparecem com destaque. Ultimamente, Maurílio estudava o 6º período do curso de Direito no Cesmac. Em seus planos, o professor pretendia fazer um concurso público e conquistar a estabilidade. O irmão da vítima, Gerson Ferreira da Silva, lembrou que Maurílio conheceu a Inglaterra, Portugal e os Estados Unidos, onde chegou a ser aprovado num mestrado, mas o abandonou por não ter conseguido uma bolsa de estudo e retornou para o Brasil. Depois disso, ele voltou para São Paulo e em seguida veio para cá. Até tentamos convencê-lo a morar num local mais próximo do Centro, mas ele optou por ficar perto da praia, lembrou Gerson. ### Grupo Gay de AL denuncia oito assassinatos em 2005 Ao tomar conhecimento, pela imprensa, da morte de mais um homossexual na capital, a presidente do Grupo Gay de Alagoas (GGAL), Cassandra Nascimento, pediu empenho à polícia para apurar o caso. Gostaria que a polícia se dedicasse. Digo isso porque o mais comum é, por se tratar de homossexual, o caso ficar esquecido, observou Cassandra. Segundo a presidente do GGAL, o grupo está atento para os atos violentos cometidos contra homossexuais no Estado. Somente este ano, já foram mortos oito homossexuais em Alagoas. Sem falar nos casos de agressões física e verbal. Eu mesma fui agredida numa loja e, ao procurar um posto da PM, no Centro, o policial colocou vários empecilhos para não apurar o caso. A postura do GGAL contra a violência segue uma orientação nacional. No dia 10 de março foi lançado em Alagoas, no Palácio Floriano Peixoto, o programa do governo federal Brasil sem Homofobia, que visa conter a onda de agressões e mortes de homossexuais. Os gays alagoanos também estão vigilantes para o julgamento dos acusados de envolvimento na morte do vereador de Coqueiro Seco, José Renildo dos Santos, ocorrido há 12 anos. Homossexual assumido, ele teve atritos com o prefeito da cidade. O júri será dia 30 de maio. Serão julgados o advogado José Renato de Oliveira (pai do ex-prefeito de Coqueiro Seco, Tadeu Fragoso), acusado de mandante, e os policiais militares Paulo Jorge de Lima, Luiz Marcelo Falcão e Antônio Virgílio dos Santos, acusados de executores. O caso teve repercussão internacional. |MR ### Amigos de Maurílio notaram sua ausência Na Faculdade de Direito do Cesmac, a ausência de Maurílio Ferreira foi notada pelos colegas de curso. Ele era considerado um aluno com boa freqüência, mas costumava se atrasar para a primeira aula. Segundo uma colega, que preferiu não se identificar, na terça-feira sua ausência foi percebida a partir da terceira aula, já que o curso está vivendo o momento das primeiras provas do 6º período. Depois de um tempo, algumas pessoas comentaram que ele havia faltado, o que não é comum. Como sempre estou num dos lugares da frente, observei que ele sempre se atrasava, contou a colega. Nas aulas, ele era um dos destaques, principalmente para atividades em grupo. Era muito responsável com os trabalhos, completou a estudante. Profissional A Gazeta localizou um ex-aluno de Maurílio, Daniel Andrade, ator e músico, que conheceu a vítima quando cursou inglês no Espaço Cultural. Sobre o período de convivência, Daniel ressalta o compromisso social demonstrado pelo professor. Ele era uma pessoa muito consciente de sua condição de negro. Trabalhava isso com sutileza. Não me esquecerei que no úlitimo dia de aula, em resposta a algumas pessoas, ele leu um poema, lembrou.|MR

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