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Polícia indicia beneficiária de apólices

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Marcos Rodrigues Repórter A polícia não tem mais dúvidas do envolvimento de Lenira Maria da Conceição no golpe do seguro de vida, cujo principal acusado é o filho dela, Renato Patrício da Silva. Ela foi indiciada, ontem, no inquérito que apura o caso. Sob acusação de envolvimento no esquema, também estão indiciados o médico e ex-vereador Mauro Guedes, Edilson da Silva (irmão de uma das vítimas) e José Nélson dos Santos. A ação de Renato Patrício no chamado golpe do seguro foi descoberta pela matriz da seguradora Mongeral, em São Paulo. Na próxima semana, o inquérito será remetido ao Ministério Público (MP) com denúncias de homicídio, falsificação de documentos e estelionato. Segundo as investigações, Lenira era beneficiária de três das quatro apólices de seguro feitas por Renato para clientes alcoólatras que, incentivados a ingerir bebidas alcoólicas, acabariam tendo a morte antecipada. É isso que constará no processo que será entregue ao MP. Ontem, o depoimento de Lenira na Delegacia de Investigações e Capturas (Deic) serviu para confirmar as suspeitas do delegado Denisson Albuquerque, presidente do inquérito, quanto aos indícios da participação dela no esquema. Tanto é que ela foi liberada em menos de uma hora. Lenira da Conceição chegou à sede da CIAPC 1, no Farol, acompanhada do advogado Cícero Herculino e de um filho, que não teve o nome revelado. Ela negou envolvimento no golpe, mas não explicou por que aparece como beneficiária em outras apólices. Não tenho nada a ver com isso que estão dizendo. Querem atingir a mim e ao meu filho. O seguro que recebi foi de meu segundo marido. Quanto a outros benefícios, eu desconheço, disse. ### Vítimas eram enganadas com promessas de pagamento A escolha das vítimas do golpe, segundo a polícia, era feita com muito cuidado. O perfil ideal era o de homens solitários, alcoólatras e, de preferência, analfabetos. No contato mantido por Renato Patrício, segundo a polícia, ele informava que, com os conhecimentos que tinha, conseguiria recursos referentes à aposentadoria. Depois de conquistar a confiança das pessoas, de acordo com as investigações, ele se apropriava dos documentos pessoais delas e iniciava o processo de montagem da fraude. Durante as investigações, descobrimos que as vítimas não eram informadas de que estavam concedendo a Renato e/ou sua mãe o direito de serem beneficiadas com o dinheiro do seguro de vida, afirmou o delegado Denisson Albuquerque. Nos levantamentos da polícia constam os nomes de três vítimas do golpe. Duas delas, Luiz Pereira de Azevedo e José dos Santos Neto, morreram no ano passado. O sobrevivente foi José Batista da Silva, o Zé Gotinha. Ele mora em Porto de Pedras, numa casa de taipa. Por causa da amputação dos dedos das duas mãos, vive com uma aposentadoria pouco acima do salário mínimo de R$ 260. Para ele, Renato Patrício conseguiu fazer uma apólice de seguro, que, no caso de sua morte, renderia R$ 175 mil. O valor da mensalidade do seguro de vida, de R$ 189, seria pago com a ajuda de José Nelson dos Santos. Já a beneficiária seria a mãe de Renato, Lenira Maria da Conceição.|MR ### Morte de ex-companheiro rendeu a Lenira R$ 50 mil Depois que o golpe foi divulgado pela imprensa, a família de Luiz Pereira de Azevedo procurou a polícia para contestar as circunstâncias de sua morte. Seu irmão, Geraldo Pereira de Azevedo, foi ouvido e revelou que no dia da morte de Luiz Pereira tentou pedir que fossem feitos exames para confirmar a causa, mas foi impedido por Renato Patrício. Ele disse que já estava tudo resolvido e me mostrou o atestado de óbito, onde constava como causa da morte um infarto. Na hora, ele já estava providenciando todo o sepultamento, disse Geraldo. O irmão da vítima confirmou, ainda, que Luiz conviveu com Lenira por aproximadamente três anos. Quando se uniram, ela era proprietária de um bar, no Conjunto Santa Lúcia. Geraldo conta que Luiz bebia regularmente, mas depois de uma cirurgia de hérnia, diminuiu o ritmo. A existência de um seguro de vida não era de conhecimento da família. Não acho que ele tivesse dinheiro para receber e, ao invés de ajudar a família, que é humilde, o repassaria para ela (Lenira), acredita Geraldo. A morte de Luiz Pereira rendeu para sua companheira R$ 50 mil. O dinheiro foi repartido com a família. Com sua parte, Renato comprou um Ford Fiesta (MUX 5918), de cor azul, ano 2003. Para efetuar a compra, Renato usou uma identidade falsa, onde aparece como natural de Pernambuco. Com a descoberta do golpe, ele acabou preso.|MR

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