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Polícia sem pistas; testemunha revela últimos momentos

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| CARLA SERQUEIRA Repórter A cidade de Murici continua envolvida pelo clima de mistério. A morte de Juliana Cassiano permanece sem pistas. O corpo da jovem de 16 anos foi encontrado na última terça-feira, dia 19, às margens do Rio Mundaú. O laudo do Instituto Médico Legal confirma assassinato. Juliana morreu estrangulada. Rita de Cássia, de 16 anos, foi a última pessoa que viu Juliana antes de ela desaparecer da Vila do Genilson, onde morava com parentes. Fui levá-la para ela não ir sozinha, contou Rita, dizendo que, no meio do caminho, encontraram com um amigo, chamado Péu, que estava bebendo cachaça. Tomamos duas doses com ele e seguimos. Antes de ir para casa, Juliana pediu para visitar uma amiga, Aline, que nunca mais tinha visto. Já estava dormindo. Ela [Juliana] me acordou, perguntando como eu estava. Ela parecia meio bêbada, relatou Aline Timóteo. Rita de Cássia deixou Juliana no início da Vila. Ela disse que iria tomar banho para dormir. Tinha que lavar pratos e fazer traques (fogos) no outro dia. Segundo ela, deixou a amiga e voltou para casa - ela mora no bar onde Juliana estava bebendo antes de morrer. Acusação A família de Juliana Cassiano continua revoltada. Enquanto eu não puder ver o culpado atrás das grades, eu não sossego, disse o primo da jovem, José Firmino, de 34 anos. Para mim, o Faustinho é o principal suspeito. Isso tem é muito dinheiro por trás, acusou. Faustinho, ou Fausto Cardoso Batista, tem 18 anos, é filho do ex-vereador Fausto Cardoso e sobrinho do bicheiro Plínio Batista. Ele está sendo apontado como o principal suspeito do crime, por ter estado no mesmo bar em que Juliana, no dia em que ela desapareceu. Era uma inauguração do bar. Tinha muita gente lá. Eu saí antes dela com meus amigos. Ela ficou lá dançando com outros homens, alegou Faustinho. Para a família do adolescente, o que está acontecendo é um jogo político. Estão querendo acabar com a minha carreira política, sujar o meu nome, afirmou Fausto Cardoso. Segundo ele, a manifestação que ocorreu na sexta-feira, e que reuniu cerca de 3 mil pessoas, foi organizada por políticos da cidade. Tem parente da moça (Juliana) se reunindo direto na casa de políticos. Os cartazes da passeata foram feitos por cabos eleitorais, revelou o ex-vereador, afirmando que a família está empenhada para ajudar nas investigações. /// Bar é um prostíbulo, dizem moradores Moradores das imediações onde está localizado o bar onde Juliana passou parte da noite de domingo, dia 10, afirmam que o local é ponto de prostituição. Com medo de falar, uma mulher disse que foi lá que a filha perdeu a virgindade, aos 13 anos. O laudo divulgado pelo IML não confirma a hipótese de Juliana Cassiano ter sido estuprada antes de morrer. Os gases empurraram a vagina dela para fora e, por causa do tempo que o corpo ficou dentro d?água, as substâncias que poderiam provar relações sexuais foram explusas, explicou o legista Gérson Odilon, que realizou o exame no corpo. A família contesta. Não entendi por que não deixaram a gente acompanhar o corpo até o IML. A família tinha direito, reclamou o primo da vítima, José Firmino. Segundo ele, a jovem foi encontrada morta, sem calcinha, com a boca cheia de cabelo e com os seios mordidos. Suspeitos Rita de Cássia, a amiga que acompanhou Juliana até a vila onde morava, ficou detida dois dias na delegacia de Murici, juntamente com Nan, que também estava no bar na noite em que Juliana desapareceu. Os dois foram soltos por falta de provas. Outros, apontados como suspeitos, além de Faustinho, são Milton, Luciano e Jadson. Eles chegaram às 20h30 em três carros. Foram embora cerca das 22h50. Queriam levar as meninas para a fazenda do pai do Faustinho, mas não deixei, revelou dona Hilda, a proprietária do bar. Segundo Faustinho, ele e os amigos saíram do bar e foram para outro, que estava fechado. Depois, Luciano e Milton foram para uma boate. Eu e Jadson fomos lanchar e depois fui embora. Guardei o carro na casa de meu pai e fui dormir na casa da minha avó, afirmou. |CS /// Toda hipótese será investigada REGINA CARVALHO Até a tarde de ontem, o delegado do 3º Distrito de Polícia de Murici, Robson Coutinho Medeiros, não havia recebido o laudo do Instituto Médico Legal (IML) que revelou as causas da morte de Juliana Cassiano. Na última quarta-feira, o laudo do IML ficou pronto e revelou que Juliana foi vítima de asfixia mecânica. Independentemente do resultado do laudo, todas as hipóteses serão investigadas, afirmou o delegado, sem se aprofundar no assunto. Segundo o delegado, mais depoimentos serão colhidos nos próximos dias. Não posso revelar quais pessoas serão ouvidas ou mesmo quando, disse Coutinho. A Gazeta apurou que, ainda ontem, seis pessoas foram notificadas a comparecer à delegacia para depor. Juliana saiu no final da noite de domingo do bar do seu Tonho em direção a sua casa, na Vila do Genildo, e foi vista pela última vez pela colega Rita de Cássia dos Santos. Dois dias depois, seu corpo, reconhecido por parentes, foi encontrado às margens do Rio Mundaú.

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