Polícia
Pai diz que tenente atirou para matar
MAIKEL MARQUES FELIPE FARIAS Repórteres Sucursal Arapiraca - Os pais da estudante Geovana Pereira Rocha (21) quebraram o silêncio e contaram à Gazeta detalhes do dia em que sua filha levou um tiro de pistola. O acusado de disparar à queima-roupa é o tenente Silva Júnior, que trabalha no 3º Batalhão da PM em Arapiraca. O tenente chamou Geovana para conversar. De repente, apertou o gatilho da pistola. A bala entrou debaixo do seio esquerdo, perfurou pâncreas, intestino, duodeno, baço e rim, até sair pelas costas, conta Geovanildo Pereira, pai da estudante, que continua internada na UTI da Unidade de Emergência do Agreste. Geovana Pereira ocupava uma das mesas do bar Altas Horas, no bairro São Luiz, em Arapiraca, na noite do último dia 19. Ela se divertia com um grupo de amigos até a chegada do tenente Silva Júnior. Segundo o pai da jovem, com base em relatos de testemunhas, o oficial a convidou para uma conversa reservada numa das mesas do bar. O diálogo durou 40 minutos e chegou ao fim por volta das 22h30, quando Geovana recebeu o tiro de pistola. Assustada, ela se levantou e buscou socorro dos funcionários do bar. Os clientes correram quando ouviram o tiro. Minha filha desmaiou e caiu. Aí, parte dos clientes voltou e prestou socorro, conta Geovanildo. O tenente teve um rápido namoro com Geovana meses atrás. Ontem à tarde, a delegada tomou o depoimento de uma testemunha do caso. Segundo a testemunha, o acusado agiu como se nada tivesse acontecido. Ele só se levantou para prestar socorro quando percebeu a gravidade da situação. Antes de desmaiar, a vítima ainda lhe perguntou: ?Por que você fez isso comigo, Júnior??, relata Cássia Mabel, delegada da Mulher de Arapiraca. Para fugir do flagrante, o tenente pediu ajuda de uma funcionária para prestar socorro à estudante. Ele a levou à UE do Agreste em seu próprio veículo. Em seguida, comunicou o caso ao seu superior hierárquico, o coronel Luciano Silva, comandante do 3º Batalhão da PM em Arapiraca. Não houve discussão entre os dois. Ele atirou com intenção de matar minha filha. Não temos dúvida disso, explicou Geovanildo Pereira. A estudante foi submetida a intervenção cirúrgica que durou mais de seis horas e só chegou ao fim na manhã do dia 20. Ontem, seus familiares receberam a boa notícia: Geovana retomou a consciência e contou os primeiros detalhes do que ocorreu naquela noite. Suas primeiras palavras foram: Pai, não merecia levar um tiro de pistola sem motivos. Zuleide Pereira, mãe da estudante, explicou que Geovana já consegue respirar sem ajuda de aparelhos. Mas ainda recebe alimentação através da veia, completou. O tenente Silva Júnior chegou a ser recolhido a uma das dependências do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, segundo a Associação dos Oficiais, mas foi liberado porque há pedido de prisão decretado pela Justiça. De acordo com o presidente da entidade, major PM Eduardo Lucena, será prestado apoio jurídico ao oficial por causa da presunção de inocência: Ele alega que é inocente e não há provas em contrário, disse o oficial. No momento, Silva Júnior está afastado do policiamento e, como não está preso, deverá aguardar pela apreciação de seu pedido de transferência para Maceió desempenhando atividades administrativas na corporação.