Polícia
Taxista é preso por prostituição infantil
MARCOS RODRIGUES Repórter A ação de adultos favorecendo ou explorando a prostituição infantil teve, na noite de quinta-feira passada, mais um capítulo. O taxista Antônio Manoel da Silva, 55, foi preso em flagrante quando deixava, na Pajuçara, em frente a um hotel próximo à sede do Clube de Regatas Brasil (CRB), três crianças, que se prostituem com turistas e profissionais liberais, no período da noite. As três meninas, duas delas irmãs, estavam em companhia de B.M.B.S, 10, no local, para conseguir clientes, quando foram contatadas pelo taxista. As três crianças costumam sair juntas, mesmo quando só uma consegue um programa. Segundo a equipe da Radiopatrulha que efetuou a prisão, Antônio saiu com três garotas de um dos pontos de táxi, que funcionam no início da Pajuçara. Sua saída foi testemunhada por outras garotas e pelas prostitutas que também atuam no local. Uma delas, identificada como Janete, deu aos policiais detalhes da abordagem de Antônio, mas não foi levada para depor na condição de testemunha do caso. A origem da denúncia, entretanto, não teve como objetivo proteger as meninas, mas sim afastá-las do ponto porque cobram menos pelo programa. Prisão Depois de pouco mais de uma hora, as meninas retornaram. No momento em que desciam do carro, Antônio foi abordado e recebeu voz de prisão. Aos policiais, as garotas contaram que Antônio prometera dar-lhes presentes como um DVD e até celular se elas topassem fazer sexo com ele. A garota R.M.S., 12, confirmou que chegou a ser tocada na altura do peito pelo taxista, mas se recusou a fazer o programa com ele. Ele ficava dirigindo e passando a mão, perguntando se eu toparia o programa, alegou a garota aos policiais. Crime Em seu depoimento, o taxista, que é diarista há cinco anos, contou outra versão. Ele diz que faz ponto no mesmo local onde as crianças disputam espaço com as prostitutas, mas nega que tenha tentado forçar um programa com as meninas. Eu estava parado no meu táxi quando elas entraram correndo para se esconder do carro da polícia. Aí, pediram para dar uma volta e retornar depois. Quando passamos pela viatura da polícia, elas pediram para voltar para o ponto. Quando parei, já vi os policiais me dando voz de prisão, contou o taxista. Depois do flagrante, Antônio foi ouvido pela delegada de plantão na Central Integrada de Atendimento Policial ao Cidadão (Ciapc 3), Aureni Moreno. Ela remeteu o caso para a Delegacia dos Crimes Contra a Criança e o Adolescente, que funciona no Centro. indiciamento O caso agora será investigado pela equipe da delegada Ana Luíza Nogueira. Mesmo contando com apenas uma viatura e trabalhando num prédio adaptado, no Centro, sem celas, ela vai indiciar o taxista por atentado ao pudor (Art. 14, do Código da Criança e do Adolescente), além de favorecimento à prostituição. A delegacia já tem denúncias de que, em alguns casos, as garotas são aliciadas por taxistas para serem levadas para programas em festas particulares e até bares. ### Nunca percebi nada, diz ex-mulher A prisão do taxista Antônio Manoel da Silva revelou outro drama: o da sua família. Enquanto ele tentava se explicar após o flagrante, sua ex-mulher, Marinete José da Silva, se dizia impressionada com as acusações que pesam contra ele. Nunca imaginei estar num lugar assim. Mas hoje em dia ninguém está livre de uma dessas, comentou Marinete. Acompanhada por um dos genros, ela disse que, enquanto esteve casada com Antônio, nunca percebeu nenhum comportamento diferente dele em relação a crianças. Indagada sobre se as razões da separação envolvem algum problema no comportamento do ex-marido, ela desconversou. Não teve nada demais, só coisa de casal mesmo, completou Marinete. Preocupação Ontem, a preocupação dela era com o futuro da família, já que Antônio, mesmo separado, ajuda a pagar as despesas da casa. Ele não é o proprietário do táxi que dirigia. Por noite, na condição de diarista, ele obtém aproximadamente R$ 50. Estamos sem saber o que fazer com o carro, porque ele é de outra pessoa. Preciso ser orientada pela delegada sobre o que fazer daqui para a frente, desabafou Marinete. Ontem pela manhã, ela ainda não sabia interpretar as acusações que pesavam contra o ex-marido. Já Antônio reconhecia a gravidade do problema, mas demonstrava tranqülidade. Quem me conhece sabe que não mexo com isso. Tenho filha mulher, dizia ele, como argumento de defesa. Nos primeiros levantamentos, não existiam denúncias anteriores contra o taxista. Ainda assim, como foi preso em flagrante, não está descartada sua ida para o presídio, ou ainda para uma outra delegacia, a fim de aguardar o pronunciamento da Justiça.|MR