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Polícia pede prisão e busca autor de tiro
REGINA CARVALHO Repórter O delegado Regional de São Miguel dos Campos Antônio Carlos de Azevedo Lessa pediu, ontem, a prisão preventiva de Rodolfo Amaral, 18 anos, apontado como autor do disparo que matou o estudante Davi Hora Barros Omena, 18 anos, na madrugada da última quinta-feira, em São Miguel dos Campos. O pedido de prisão preventiva foi encaminhado, ainda ontem, à juíza Nirvana Mello. Na condição de foragido, o acusado continua sendo procurado por policiais da delegacia de São Miguel dos Campos. Continuamos procurando por ele. De qualquer forma tive a informação de pessoas ligadas a Rodolfo de que ele pode se apresentar na segunda ou terça-feira, informou o delegado. Os amigos Petrúcio Soares Filho e Felipe Rocha Melo confirmaram, durante depoimento prestado ao delegado Antônio Carlos, na quinta-feira, que Rodolfo foi o autor do disparo fatal. Perversidade Antônio Carlos questiona a alegação do pai do acusado, o empresário Raimundo Câmara Amaral, de que o tiro teria sido uma brincadeira entre amigos. Acho que foi uma perversidade. Ele deu um golpe na pistola (tirar o pente e projetar a bala na câmara de disparo) e sabia da responsabilidade. Sabia que, no mínimo, ele poderia ferir o amigo, ressaltou o delegado. A arma usada para deflagrar o tiro no rosto de Davi, uma pistola calibre 22, pertence a Rodolfo Amaral. Soubemos através dos amigos que também estavam no momento que a arma foi jogada da ponte, localizada na saída da cidade de São Miguel. Já acionamos o Corpo de Bombeiros na tentativa de encontrá-la, declarou o delegado. Depois de encontrada a arma do crime, o delegado pretende certificar se havia registro. A última ligação do pai de Rodolfo para o delegado aconteceu na manhã de quinta-feira, quando ele alegou que o tiro disparado pelo filho foi fruto de uma brincadeira. Essa foi a última vez que falei com ele, acrescentou Lessa. Na opinião do delegado, o homicídio foi doloso. Ele (Rodolfo) sabia que poderia ocasionar na morte do amigo, pois deu um golpe na pistola, explicou. Davi Omena teve morte cerebral decretada na manhã de quinta-feira e durante todo o dia parentes estiveram de plantão na Santa Casa de Misericórdia de Maceió e ainda tinham esperança de que ele poderia resistir. Entretanto, por volta das 18h do mesmo dia, os médicos informaram o falecimento. ### Suspeito conta sua versão sobre o crime Mesmo com a prisão decretada, Rodolfo vai se apresentar à polícia, afirmou o advogado de defesa Raimundo Palmeira. Mas vou contestar o pedido de prisão preventiva, disse. Rodolfo, segundo Palmeira, irá se apresentar no início da semana que vem à delegacia de São Miguel dos Campos. Para o advogado, a prisão preventiva não é meio de dar satisfação imediata, mas medida de comprovada necessidade, afirma. Não vejo motivo para prisão uma vez que Rodolfo não está prejudicando as investigações. Ele, inclusive, na madrugada do acidente, foi até a delegacia se apresentar, observou. Segundo ele, quando Rodolfo Amaral chegou em Maceió, junto com os outros três amigos, o pai de um deles, que é advogado, aconselhou aos jovens a voltarem para São Miguel dos Campos e registrarem o fato na delegacia. Na mesma madrugada, depois que vieram seguindo a ambulância, os garotos voltaram para a cidade e deixaram na delegacia nomes e números de telefones, contou Palmeira. Na versão de Rodolfo Amaral, a vítima, Davi Hora Barros de Omena, e mais um amigo, também manusearam a arma quando estavam a caminho de São Miguel. Foram brincando, atirando para cima, disse Palmeira. Quando chegaram ao destino, Rodolfo escondeu a arma embaixo do tapete do carro. Rodolfo afirmou que teria encontrado a arma há 15 dias. Mas não me falou onde, contou o advogado. Quando se preparavam para retornar a Maceió, segundo Rodolfo Amaral, Davi havia pego a arma embaixo do tapete, para brincar de atirar também na volta. Rodolfo não quis e tentou pegar a pistola, mas sem brigas, conta Palmeira. Foi nesse momento que ocorreu o disparo. Raimundo Palmeira disse que, de acordo com a versão de Rodolfo, não há dolo. Quando muito, homicídio culposo. Rodolfo não teve intenção de matar Davi, disse, afirmando que o laudo do IML pode revelar detalhes sobre o momento do disparo. O trajeto da bala vai comprovar a inclinação da arma, e a partir disso, a fatalidade poderá ser esclarecida, acredita. CS ### Família pede desarmamento de jovens A família de Davi Barros Omena, 18, fez um pacto de silêncio sobre o assassinato do jovem na madrugada da quinta-feira, pelo menos durante o sepultamento do corpo de Davi, na manhã de ontem, no Parque das Flores. O avô de Davi, Marcelo Barros, explicou os motivos. Tudo está, ainda, muito confuso. O que sabemos é baseado nos depoimentos dos garotos. A única certeza que temos é de que Davi era de paz, disse o avô Marcelo Barros, explicando que os familiares preferem aguardar as investigações policiais para emitir qualquer opinião sobre a morte de Davi. Menos comedidos, jovens amigos de Davi manifestaram sua revolta. Quem anda armado sabe que quando tira o pente sempre fica uma bala na arma, destacou um deles. Arma não é um brinquedo. Colocar uma arma na cabeça do outro e atirar não é brincadeira, é uma estupidez. Para mim, isso não tem perdão!, desabafou outro amigo. Desarmamento Durante o velório de Davi, o que mais se comentava, nas rodas de jovens e adultos, era o perigo de se ter uma arma ao alcance das mãos, principalmente, em se tratando de jovens. A tragédia que resultou na morte de Davi, aconteceu num momento em que o País inteiro registra o pico da campanha de desarmamento. Na última quinta-feira, seria encerrado o prazo para que as pessoas que têm arma em casa, a entregassem na Polícia Federal, e milhares de pessoas procuraram os postos de entrega. O governo acabou prorrogando o prazo para outubro. Desarmar é necessário. Eu tenho pena da família desse garoto. Com apenas 18 anos e já envolvido num problema desse, porque tinha uma arma nas mãos, destacou Marcelo Barros. Isso mostra o quanto o porte de arma é perigoso. Ele só tem um objetivo: tirar a vida de uma pessoa. Temos que orientar nossos jovens a não usá-las e se afastar de quem anda armado, destacou o deputado Helenildo Ribeiro, presente ao sepultamento. FA ### Amigos fazem homenagem a Davi, um garoto de paz O corpo do estudante Davi Horta Barros Omena, 18 anos, foi sepultado, ontem pela manhã, no Parque das Flores, sob forte emoção de familiares e amigos, que lembravam a todo momento - entre lágrimas e revolta - sobre o temperamento divertido e sempre pacífico de Davi. Vestidos com camisetas brancas, com a palavra saudades, impressa abaixo da foto de Davi, os amigos do jovem reforçavam a expressão do sentimento que traziam no rosto. Era o companheiro mais divertido, sempre de bom humor e querendo deixar todos alegres. Davi nunca teve inimigos, disse o amigo Bruno Villela. Morte estúpida Estou com muita raiva de ter perdido um amigo de maneira tão estúpida. Uma pessoa que nunca se meteu em confusão, morrer dessa maneira!, destacou o jovem Rafael Albuquerque. Em mais uma manifestação de carinho, os amigos autografaram uma camisa do Centro Sportivo Alagoano (CSA), time do coração de Davi e colocaram sobre o caixão, junto com a bandeira do Flamengo, outra paixão. Cerimônia de adeus Na hora da despedida, foram as palavras da mãe, Valéria Barros, numa mensagem cheia de lições de amor, zelo e respeito ao próximo, que coroaram de emoção a cerimônia de adeus. Davi da Hora Barros Omena tinha 18 anos, estava concluindo o segundo grau e se preparando para o vestibular. Segundo familiares, já trabalhava com um tio. Era o filho mais velho do casal Valéria Barros e Luiz Omena Filho. E segundo seus amigos, era um garoto de paz. SALVANDO VIDA Os órgãos de Davi Barros, doados pela família na noite de quinta-feira, 23, logo após a constata ão de sua morte, vão salvar a vida de pelo menos cinco pessoas. O coração foi transplantado na mesma noite e beneficiou uma mulher de 30 anos. De acordo com o diretor da Central de Transplantes de Alagoas, o médico André Seabra, a identidade dos receptores deve ser preservada. Temos que respeitar a legislação, justificou. Os dois rins também já foram transplantados em outras duas pessoas. As córneas irão, também, beneficiar dois pacientes. As córneas precisam ser estudadas e os transplantes deverão ser feitos dentro de oito dias, explicou a diretora do Hospital de Olhos Santa Luzia, Gilva Ramos. Em média, a fila de espera por rins em Alagoas chega a três anos; a de córnea, 2. Hoje, cerca de cinco pessoas aguardam por um coração. |FAL e CS