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Comando é acusado de autorizar bico

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REGINA CARVALHO Repórter O pagamento de fiança, de R$ 300 por preso, garantiu a liberdade para os policiais militares que foram flagrados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) fazendo escolta ilegal de ônibus e vans em direção a Caruaru, Pernambuco, no último fim de semana. O policial civil Sérgio Costa Cavalcante, que estava com os militares fazendo bico, também ganhou liberdade. Ontem, o presidente da Associação dos Cabos e Soldados de Alagoas, Wagner Simas, apresentou um documento no qual o diretor-geral da Polícia Civil, delegado Roberto Lisboa, teria autorizado os policiais a fazerem bico, ou seja, a escolta de sacoleiros até Caruaru. Lisboa, no entanto, nega ter assinado documento liberando esse tipo de atividade e disse que o documento é falso. Punição O secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, disse que os policiais devem responder a procedimento administrativo em Alagoas, além de ação criminal em Pernambuco por porte ilegal de arma. Já o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Edmilson Cavalcante, assegurou que os policiais não tinham autorização dele para realizarem escolta e podem ser punidos administrativamente. Habeas-corpus A libertação dos soldados que estavam presos até ontem em Pernambuco foi possível porque a Associação dos Cabos e Soldados de Alagoas entrou com habeas-corpus preventivo, pagou fiança e o juiz da Comarca de Cachoeirinha (PE) Antonio Vasconcelos concedeu liberdade a Sérgio Luís de Araújo Barbosa, Ailton Izídio da Silva, Jair Gouveia dos Santos, o cabo da Polícia Militar Adriano Jorge dos Santos e o sargento da PM Givanildo Santana. Eles chegaram em Maceió às 4 horas da manhã de ontem, numa operação que nem mesmo o comando geral da PM sabia que estava ocorrendo. Porte de armas Os cinco militares saíram do 15º Batalhão da PM de Belo Jardim (PE) na madrugada de ontem e se apresentaram ainda pela manhã, já em Maceió, ao Comando da Polícia Militar, no quartel geral da PM. Nós vamos conversar com o comando geral no sentido de que não haja punição administrativa para os militares, declarou o presidente da Associação de Cabos e Soldados de Alagoas, Wagner Simas. Ele contesta a operação da PRF e alega que os policiais tinham o porte das armas. O erro foi porque não houve o comunicado aos superiores em relação a esse trabalho, entretanto, eles não estavam a serviço. Sou policial, tenho uma identidade que me identifica como militar, não sei por que houve essas prisões, ressaltou Wagner Simas. ### Militares denunciam maus-tratos Em conversa com a imprensa, os militares denunciaram que foram vítimas de maus-tratos pelos policiais rodoviários federais. Ficamos quatro horas algemados na pista e no sereno e foram quase 24 horas para eles autuarem o flagrante. Não estávamos fazendo coisas absurdas, alegou o sargento Givanildo Santana, com a voz trêmula. Segundo ele, todos os militares que faziam a escolta de transportes com destino a Caruaru possuem o registro nacional de armas. Além de tudo que passamos fomos também maltratados na carceragem da Polícia Rodoviária Federal, declarou o sargento. O presidente da Associação dos Cabos e Soldados, Wagner Simas, denunciou que os policiais também armaram situações que acabaram comprometendo os militares que faziam bico para os sacoleiros. Houve a tentativa de aplicar infração no nosso pessoal, colocando armas para incriminá-los, ressaltou. O baixo salário foi o principal motivo, segundo eles, para aceitarem o bico. Um soldado recebe um salário de apenas R$ 800, fora os descontos. É muito pouco. Eles estavam apenas fazendo a sobrevivência deles, explicou Simas. Sustento da família Ele denuncia ainda que a maioria dos policiais militares de Alagoas faz bico para ajudar no sustento da família. Os soldados quase que em sua totalidade fazem bico dentro e fora da corporação, até quando tiram o serviço de outros colegas militares, acrescentou. Segundo o sargento Givanildo Santana, o trabalho de escolta, contratado por sacoleiros, era feito há um ano e nunca tinha aparecido problemas durante o percurso dos alagoanos a Caruaru. Fomos abordados na cidade de Cachoeirinha por mais de dez viaturas. Aquilo foi um absurdo, enfatizou o sargento. Os militares ficaram três dias presos em Pernambuco. Eles, de forma arbitrária, algemaram nossos companheiros. Não precisava disso, completou Wagner Simas. Na operação da Polícia Rodoviária Federal, intitulada de De Olho na Rota, foram presas 21 pessoas, dentre militares de Alagoas e Sergipe portando 24 armas e 343 projéteis, num trecho da BR-423, onde seguiam em veículos particulares. A operação da PRF envolveu policiamento dos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte. O alvo dos agentes da PRF, na verdade, eram os sacoleiros que vendem produtos importados do Paraguai. |RC

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