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Cabo PM é morto em escolta irregular

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Maikel Marques Repórter Arapiraca - Uma quadrilha composta por dez assaltantes que trafegavam numa picape L200 e num Gol interceptou, ontem, na rodovia AL-110, entre Arapiraca e Coité do Nóia, o Fiat Uno e o Fiat Elba em que viajavam quatro policiais militares que faziam bico transportando malotes da agência dos Correios de Arapiraca para abastecer as agências de Coité do Nóia, Tanque D?Arca e Belém. O bando matou com tiros de pistola e revólver o cabo José Romero Nunes dos Anjos, 36, e feriu na cabeça o soldado José Romilton da Silva, 38, que viajavam no Fiat Uno. Em seguida, o grupo rendeu os ocupantes do Fiat Elba. Sob mira de fuzil, entregaram suas armas e assistiram, assustados, ao confisco dos malotes que estavam no banco de trás do veículo. A ação da quadrilha teria começado às 11 da manhã, quando parte do bando começou a seguir os veículos Fiat Uno (GTB 1059/Penedo e Fiat Elba (MUL 3292/Arapiraca), que foram interceptados na AL-110, na cabeceira da ponte que divide os municípios de Arapiraca e Coité do Nóia. Segundo o comando do 3º Batalhão da PM, a picape L200 bateu na lateral esquerda do Fiat Uno pouco antes de ser atingido pelas balas que perfuraram a lataria, quebraram os vidros e atingiram o tórax de José Romero. Ele perdeu o controle do veículo, que só parou depois de bater na cabeceira da ponte. Naquele momento, os assaltantes que ocupavam o veículo Gol interceptaram o Fiat Elba em que viajavam dois policiais: cabo Barbosa e o soldado Roberto. Os dois faziam a escolta dos malotes dos Correios. Sob mira de fuzil e pistola, desceram do veículo e foram obrigados a se deitar no acostamento enquanto o bando roubava o dinheiro. Ao tomar conhecimento da ação dos bandidos, o comando do 3º BPM solicitou reforço de todas as unidades da PM e da Polícia Civil em municípios do Agreste. O bando teria fugido na direção de Boca da Mata, segundo informou o major Reginaldo Rolim, subcomandante do 3º BPM. Ajuda de Deus Ferido de raspão na cabeça e no tórax, o policial José Romilton foi levado à Unidade de Emergência do Agreste, em Arapiraca. Muito assustado e emocionado ao saber da morte do amigo, ele afirmou à Gazeta que teve sorte e só escapou porque teve ajuda de Deus. Romilton disse ainda que os bandidos agiram com muita rapidez. O grupo que viajava na L200 encostou no Fiat e abriu fogo. Romero perdeu o controle e só parou depois de bater na ponte. A ação foi muito rápida, disse o policial, que deixou o hospital às 13h20, escoltado por policiais militares do 3º BPM. Policiais que conheciam o cabo José Romero informaram que ele fazia bico há mais de oito anos para complementar a renda familiar. Geralmente, utilizava veículo e arma particulares durante a escolta de valores. O valor médio pago ao policial para integrar uma escolta seria de no máximo R$ 40. Até ontem a direção dos Correios não havia divulgado o montante roubado e que seria utilizado para pagamento de aposentadorias. ### Pior é não ganhar nada, diz delegado O diretor da Polícia Civil de Alagoas, Roberto Lisboa, afirmou que os policiais atacados por bandidos, ontem, na AL-110, entre Arapiraca e Coité do Nóia, trabalhavam em horário de folga. Eles estavam dando apoio aos Correios quando foram baleados. Um cabo foi morto e um soldado ferido na cabeça por tiros de pistola e revólver. A fatalidade, como classificou Roberto Lisboa, traz à tona, mais uma vez, a polêmica sobre os bicos realizados por policiais para complementar a renda. Mês passado, seis policiais alagoanos foram presos em Pernambuco fazendo a escolta ilegal de 10 ônibus com destino à feira de Caruaru. Todos eles respondem a processo criminal por porte ilegal de armas e a processo administrativo, já que o bico é proibido nas polícias Civil e Militar. O dinheiro que ganham com os bicos não é muito. Ontem, se tivessem saído ilesos do serviço extra, os policiais iriam embolsar apenas R$ 40 cada um. É pouco, mas você junta 2 mais 2 e formam 4. Pior é não ganhar nada, alegou Roberto Lisboa, confirmando não haver pistas sobre a quadrilha que matou o cabo, de 36 anos, José Romero Nunes dos Anjos, e feriu o soldado José Romilton da Silva, de 38 anos. Para o diretor da Polícia Civil, o risco de morte na profissão de policial é iminente. Toda ação policial oferece riscos à vida, seja ela oficial ou não, afirmou. O que ocorreu na rodovia hoje [ontem] foi uma fatalidade, observou. A justificativa para os bicos são os baixos salários que recebem os policiais. Um policial civil recebe R$ 950. Após os descontos trabalhistas, a renda, em alguns casos, não chega a R$ 700. Os policiais se arriscam em ?bicos? porque precisam, se não precisassem eles não fariam isso, explicou Roberto Lisboa. CS

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