Polícia
Choque de ônibus com caminhão mata 4
MAIKEL MARQUES Repórter Junqueiro - A viagem de 47 bóias-frias de São Sebastião e Teotônio Vilela rumo ao corte da cana-de-açúcar em terras da Usina Coruripe, ontem pela manhã, acabou em tragédia, com quatro mortos e 37 feridos. O acidente aconteceu numa das curvas mais perigosas da rodovia BR-101, em Junqueiro. O ônibus, de placa KFH 2881/PE, fretado para o transporte dos trabalhadores, bateu de frente numa carreta Scania (KMD 9962/PE), cujo condutor teria trafegado na contramão, depois de um suposto cochilo do motorista. No choque frontal, os veículos explodiram. O motorista do caminhão, que se chamaria José Amadeu, ficou preso às ferragens e morreu carbonizado, gritando por socorro, que só chegou meia-hora depois. Outros três trabalhadores que viajavam no ônibus tiveram seus corpos carbonizados. Só um foi identificado. No Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca, o médico legista José Kleber da Rocha coletou amostras dos cadáveres e as encaminhou para exame de DNA em Maceió. A ausência ao trabalho de cinco dos 47 trabalhadores que deveriam estar no ônibus também dificulta a identificação. Por eliminação, talvez consigamos identificar os dois corpos quanto encontrarmos os faltosos, explicou Cláudio Sandes, advogado da Usina Coruripe. Gritaria O ônibus fretado pela Usina Coruripe junto à empresa Transportes J. Andrade Ltda recolheu os 47 trabalhadores às 4h30, com destino à Usina Coruripe, mas a viagem chegaria ao fim às 5h30 no quilômetro 186. Ouvi a pancada. Depois, veio a explosão e a gritaria dos feridos, conta uma testemunha da colisão. Motoristas que trafegavam pela rodovia se assustaram com a bola de fogo e fumaça que saía dos dois veículos envolvidos no acidente. O trânsito na rodovia ficou interrompido por mais de cinco horas. Ambulâncias da Usina Coruripe e das prefeituras de Teotônio, Junqueiro e São Sebastião chegaram ao cenário da tragédia meia hora depois da colisão. Os sobreviventes - alguns deles inconscientes - gritavam por socorro à beira da pista. As primeiras vítimas foram encaminhadas ao hospital de Teotônio, e os casos mais graves para a Unidade de Emergência do Agreste em Arapiraca. ### Ele ficou preso nas ferragens, e virou pó depois do grito Arapiraca - O sobrevivente José Tito dos Santos, 51 anos, motorista do ônibus que transportava os bóias-frias, contou à Gazeta - enquanto aguardava assistência médica na Unidade de Emergência do Agreste, em Arapiraca - que não tinha visto em toda sua vida sofrimento igual ao do colega de profissão José Amadeu, o motorista da Scania. Ele ficou preso nas ferragens e virou pó depois de muita gritaria e de muito pedido de socorro, afirmou, ainda sob impacto das imagens e com um corte profundo perto do olho esquerdo. Questionado sobre quem seria o culpado pelo acidente, José Tito dos Santos afirmou que José Amadeu deve ter cochilado e perdido o controle da Scania quando se aproximou da curva onde houve a colisão. Eu viajava devagar. Reduzi velocidade. Quando entrei na curva, aí me deparei com a carreta vindo na contramão. Ele tentou voltar, mas já era tarde demais, lamentou José Tito. Perícia Marcas de pneus da carreta no asfalto da BR-101 justificariam a versão de José Tito. Só teremos resposta depois de uma rigorosa perícia nos dois veículos envolvidos na colisão, avisou o policial rodoviário Ernandes Costa. O resultado da perícia realizada pela polícia pode ser divulgado em uma semana, segundo apurou a Gazeta. Dois auditores fiscais da Delegacia do Trabalho em Alagoas (DRT) - Gilberto Pereira Vasconcelos e José Prado - estiveram no cenário do acidente coletando informações sobre as vítimas. Eles produzirão relatório sobre o acidente de trajeto [quando a vítima se desloca ao trabalho] com objetivo de verificar o cumprimento de direitos trabalhistas das vítimas. Vamos ouvir as vítimas, os responsáveis pela Usina e pelos dois veículos envolvidos na colisão, adiantou Gilberto Pereira. O advogado da Usina Coruripe, Cláudio Sandes, afirmou que a empresa mantém em situação legal todos os 47 ocupantes do ônibus. O ônibus foi vistoriado e se encontrava em perfeitas condições, explicou José Ferreira, chefe de transportes da empresa. O proprietário do veículo optou por não conceder entrevista. MM