Polícia
Paralisação favorece ação de bandidos
CARLA SERQUEIRA Repórter Na madrugada de ontem, um ônibus foi assaltado na rodovia BR-101, em Messias; dois presos fugiram da delegacia do Tabuleiro do Martins - entre eles, Aluízio Manoel da Silva, vulgo Duda, aquele que é o terror do Gama Lins, lembrou o delegado Cícero Rocha; e quinze pessoas tiveram seus telefones roubados, às 8h, enquanto esperavam ônibus bem próximo à Delegacia de Plantão (Deplan) I, na Avenida Fernandes Lima. Os três, contou o policial Ragremon Lins, roubaram o pessoal e ainda acenaram para mim, dando tchau e sinalizando em apoio à greve. A greve da Polícia Civil teve início na última quarta-feira, depois que o governador Ronaldo Lessa (PDT) cancelou uma audiência com o sindicato da categoria. Os policiais reivindicam adicionais noturnos e a equiparação salarial. Pedimos desculpas à população, mas a greve é o único instrumento que temos para negociar com o governo, afirma o vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Josimar Melo. A orientação aos policiais é agir apenas em flagrantes. ### Terror do Gama Lins festeja liberdade com tiros em praça Logo após sua fuga do 5º DP, Aluizio da Silva, o Duda, voltou a aterrorizar o Conjunto Gama Lins. A Gazeta recebeu, no final da tarde de ontem, denúncias da comunidade local de que Duda deu inúmeros tiros na praça principal do conjunto, e colocou muita gente para correr, entre elas o líder comunitário Aldair Gonçalves. Os dois presos que fugiram do 5º DP, nas proximidades do Conjunto Cleto Marques Luz, no Tabuleiro do Martins - serraram as grades de dois portões e alcançaram a rua sem que os 10 policiais que estavam de plantão percebessem. Eles foram presos por porte ilegal de armas. Duda é também suspeito de ameaçar de morte um padre e um policial que residem próximo ao Gama Lins, onde lidera, segundo moradores, o tráfico de drogas. Durante a fuga dos presos, os policiais estavam sob o comando do delegado plantonista Jorge Barbosa, mas ele lavou as mãos. A responsabilidade pelos presos não é minha, disse ele, mas do delegado do 5º DP. O delegado do 5º DP, Cícero Rocha, disse que quatro policiais de sua equipe estavam na delegacia para vigiar os presos. Vai ser aberto inquérito policial para apurar de quem foi a negligência, garantiu. |CS ### Policiais cruzam os braços e só agem em flagrantes Durante todo o dia de ontem, representantes do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol) percorreram as delegacias para garantir a paralisação. Temos 100% de adesão, revelou Josimar Melo, vice-presidente do Sindpol. Nenhuma ação policial está sendo realizada, diz ele, somente flagrantes. Um das pessoas que foram assaltadas ontem próximo ao Deplan I procurou os policiais para registrar queixa. Eu apenas disse a ela que a polícia está em greve e que ela fosse reclamar ao governador ou ao secretário de Defesa Social, afirmou Ragremon Lins, policial do Deplan I. Na próxima segunda-feira, em frente ao palácio Floriano Peixoto, os policiais vão realizar ato público. Às 15h, a categoria reúne-se para avaliar a greve e definir se mantém ou não a paralisação. |CS