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Condenado acusado de queimar mulher

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| MARCOS RODRIGUES Repórter Por seis votos a um, o segurança José Robson dos Santos, acusado de atear fogo em sua mulher, Jackeline da Silva, foi condenado a 18 anos em regime fechado por tentativa de homicídio qualificado. O crime aconteceu em 2000, num matagal às margens da estrada que leva ao bairro do ABC, na periferia da capital e foi motivado, segundo a família da vítima, por ciúmes. O gesto cruel deixou marcas definitivas no corpo de Jackeline. As queimaduras provocadas por álcool anidro desfiguraram o rosto de Jackeline, seus seios e parte das costas. O olho direito também foi atingido pelo fogo. Diante das primeiras evidências e dos levantamentos realizados, o promotor Alfredo Gaspar de Mendonça denunciou José Robson por tentativa de homicídio qualificado. Ele condenou Jackeline a ficar viva, mas com as marcas deste seu ato, observou o promotor. O segurança foi julgado por um júri formado por cinco homens e duas mulheres. Um deles chegou a passar mal quando a vítima foi convocada a depor no plenário. Já o acusado, que desde julho está preso no presídio Baldomero Cavalcanti, evitou olhar para a imagem deformada de Jackeline. O julgamento durou mais de 7 horas e foi acompanhado por amigos e familiares da vítima que pediam justiça por Jackeline. Suicida Quando foi ouvido pelo juiz Manoel Tenório, José Robson demonstrou frieza diante dos fatos e tentou atribuir a Jackeline a responsabilidade pelas queimaduras. Ela já havia tentado se matar outras vezes. Numa delas chegou até a cortar um pouco os pulsos, disse o segurança para sustentar sua inocência. A tese do advogado da vítima, Júlio César Cavalcante, entretanto, não é a de que Jackeline tem um perfil suicida, mas sim a de que José Robson é quem teria ateado fogo nela. Iremos negar a autoria, em face da acusação que é a de tentativa de homicídio, afirmou Júlio, criticando a fase de instrução do processo. Segundo o advogado, testemunhas importantes sobre o caso deixaram de ser incluídas na peça apresentada à Justiça. A irmã da vítima, Valdenice Rocha da Silva, não escondeu a revolta sobre o que considerou um gesto frio. Ela afirma não entender como José Robson teve coragem de atear fogo em Jackeline. Digo isto porque, sequer, houve discussão entre os dois. Eles estavam no maior amor, considerou Valdenice. ### Retornei com meu corpo em chamas A tentativa de homicídio aconteceu em dezembro de 2000. Segundo Jackeline da Silva, 25, ela estava na cidade de Quebrangulo, distante 160 Km da capital, quando foi convidada por José Robson a retornar a Maceió. O seu retorno à cidade natal já havia sido motivado por desentendimentos entre o casal. À época a filha dos dois contava com seis meses de vida. A criança veio então com a mãe e o pai para Maceió. Na chegada à capital, Jackeline conta que José Robson propôs que os dois descessem próximo à entrada do Catolé (em Satuba), onde pegariam uma estrada vicinal em direção ao bairro do ABC, na periferia de Maceió. Eu estava com minha filha no braço. Ele disse que iríamos para a casa de sua mãe. Mas, no caminho, ele entrou num mato, pegou um lençol, forrou no chão e colocou a nossa filha, relembrou. Em seguida, segundo a vítima, o segurança teria dito que a amava, mas tentou estrangulá-la. Jackeline disse ter desmaiado por duas vezes. Quando retornei do segundo desmaio já foi com meu corpo em chamas. Tentei tocar no rosto e não consegui. Pedi ajuda a Deus e encontrei uma estrada onde consegui ser socorrida, detalhou. Nesse ínterim, Robson teria ido embora com a filha. Ao juiz ele contou que só tomou conhecimento do ocorrido por vizinhos, 36 horas depois dos fatos. |MR

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