Polícia
Barenco: Estamos perto do mandante
GILVAN FERREIRA REGINA CARVALHO Repórteres Nós estamos bem perto de chegar ao mandante do assassinato de Fernando Fidélis, afirmou ontem à Gazeta o delegado Marcílio Barenco, nomeado pelo secretário de Defesa Social, Paschoal Savastano, para apurar o assassinato do fazendeiro José Fernandes Neto, o Fernando Fidélis, que ocorreu na última sexta-feira dentro do presídio Baldomero Cavalcanti. Ontem, Barenco ouviu os depoimentos do assassino confesso de Fernando Fidélis, Edson dos Santos Tavares, o Pé de Cobra, e mais quatro testemunhas do crime, entre elas o presidiário David Costa dos Santos, considerado uma das principais testemunhas da morte de Fernando Fidélis. Hoje pela manhã, o delegado Barenco vai ouvir mais cinco testemunhas no Presídio Baldomero Cavalcanti. Barenco afirma que dentro de 10 dias vai enviar o inquérito para a Justiça. Ele já descarta a versão apresentada por Pé de Cobra, que afirmou que vinha sendo ameaçado por Fidélis. Já temos a certeza de que o Pé de Cobra agiu a mando de alguém, mas ainda não podemos adiantar detalhes das investigações. Dentro de 10 dias vou encaminhar o inquérito à Justiça, afirmou. Promotores Os promotores Marcus Mousinho e Alfredo Gaspar de Mendonça, que acompanham as investigações, também afastam a possibilidade de Fidélis ter sido assassinado por desavenças com Pé de Cobra. Se a versão for confirmada fica afastada a tese de que Fidélis foi vítima de queima de arquivo. ### Servidores graduados estão sob suspeita A polícia já investiga a participação de funcionários graduados do Baldomero Cavalcanti no assassinato de Fernando Fidélis. O delegado que investiga o caso, Marcílio Barenco, e os promotores Alfredo Gaspar de Mendonça e Marcus Mousinho tentaram negar, mas a Gazeta obteve informações de que o assassino confesso Edson dos Santos, o Pé de Cobra, não agiu sozinho na morte de Fidélis. A prisão do agente penitenciário Sivaldo dos Santos, ontem à tarde - durante seu depoimento ao delegado Barenco - pode levar a polícia a nomes de outros funcionários graduados suspeitos de envolvimento com o crime. Depois do depoimento, Sivaldo foi levado para o Tigre, onde deve cumprir prisão temporária. Sivaldo é suspeito de levar armas e drogas para Pé de Cobra. A reportagem apurou que antes de cometer o crime, Pé de Cobra fumou crack. Pé de Cobra era capaz de tudo quando estava drogado, e nesse dia ele fumou mais de cinco pedras de crack. Se não fosse assim ele não teria coragem para matar Fidélis, disse um agente, que não se identificou. O irmão de Fernando Fidélis, Fabiano, disse à família que Pé de Cobra tinha sido transferido para o módulo 3 há cerca de 10 dias. Fabiano garantiu que o irmão nunca tinha discutido ou brigado com Pé de Cobra, por isso, não acredita que ele tenha assassinado Fidélis por vingança, como alegou em seu depoimento. A polícia investiga a possibilidade de Pé de Cobra ter recebido alguma promessa de dinheiro ou outro tipo de vantagem. Hoje, o delegado Barenco deve pedir a prisão de um terceiro suspeito do crime. ### Arma do crime é mistério para a polícia A polícia investiga a hipótese de a arma usada no crime pertencer ao agente penitenciário Sivaldo Oliveira dos Santos. Com base na informação, a juíza de Rio Largo, Sandra Janine Vanderlei, decretou a prisão temporária do agente. Ele trabalhou um dia antes do assassinato. Há indícios de que essa arma tenha sido usada, ressaltou o secretário-executivo de Ressocialização Valter Gama. Garibalde fica Gama informou que o ex-soldado da Polícia Militar Garibalde Amorim permanecerá no presídio Baldomero Cavalcanti e não será transferido para a Polícia Federal, possibilidade que havia sido cogitada. Ele fica no Baldomero. A gente faz o que pode. Teremos mais atenção a partir de agora, mas não tem como oferecer mais segurança, alegou Valter Gama, descartando que possa reforçar o policiamento depois da morte de Fernando Fidélis. Sindicância O secretário Valter Gama informou, ainda, que foi instaurada sindicância administrativa, composta por quatro membros, para apurar o caso. O fato de a arma vir de um agente mostra que não tivemos culpa. Não houve falha na segurança do presídio, disse. Pé de Cobra continua preso no Cirydião Durval, juntamente com o reeducando David Costa dos Santos, testemunha que estava com Fabiano Fidélis, irmão de Fernando Fidélis, no momento do crime. O delegado Marcílio Barenco e os promotores de Justiça Marcus Aurélio Mousinho e Alfredo Gaspar de Mendonça informaram que tiveram acesso a um aparelho celular que pode esclarecer mais sobre o assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis. Edson dos Santos Tavares, o Pé de Cobra, que foi ouvido ontem por mais de duas horas, tentou evitar falar sobre o mandante do assassinato de Fernando Fidélis. O promotor Marcus Mousinho, que acompanhou o depoimento, disse que ele não acrescentou muitas informações sobre o crime. A polícia acredita que ele esteja com medo de ser assassinado. Ele não acrescentou nada, além do que já disse. Estava muito reticente, declarou o promotor. ### Volta de Cavalcante vai aumentar tensão Para o juiz de execuções penais Marcelo Tadeu, houve a prática de corrupção no crime de Fernando Fidélis e o mais grave, de acordo com ele, é que esse tipo de problema pode acontecer outras vezes. A culpa é do Estado. Contratam agentes penitenciários sem nenhuma qualificação. Sem contar que eles recebem salários baixíssimos. Dessa forma fica mais fácil haver corrupção. Tem que haver concurso, senão esse tipo de coisa vai se repetir, detalhou. Segundo o juiz, não adianta transferir Garibalde Amorim e Fabiano Fidélis para a Polícia Federal. Isso seria apenas um paliativo, alegou Marcelo Tadeu. O promotor Alfredo Gaspar de Mendonça reforçou a tese do juiz Marcelo Tadeu. Ele alertou para o risco do aumento da tensão e violência dentro do Presídio Baldomero Cavalcanti, que deve receber de volta, no próximo dia 9, o ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante. Ele disse que os depoimentos mostraram que a direção do presídio não tem controle no acesso de armas, drogas e telefones celulares. Em todos os depoimentos que ouvimos hoje (ontem) ficou claro a facilidade de acesso de armas, drogas e telefones celulares dentro do Baldomero. É necessário que se tomem providências para evitar que isso continue acontecendo. O governo do Estado precisa tomar providências para evitar que a situação no Baldomero se agrave ainda mais, principalmente, agora, com o retorno do ex-tenente-coronel Cavalcante, que deve ser transferido para o Baldomero no próximo dia 9 de novembro, alertou o promotor. |RC E GF