Polícia
MPE desengaveta morte de eletricista
| REGINA CARVALHO Repórter O Ministério Público Estadual (MPE) estipulou prazo de dez dias para que a Secretaria de Defesa Social (SDS) informe o andamento das investigações sobre a morte do eletricista José Joaquim, em julho de 1999. Ele foi preso, sob acusação de que teria assassinado um policial civil. Ao sair da prisão, denunciou ter sido torturado dentro do 1º Distrito Policial (DP) e foi morto, de madrugada, na sua residência, localizada numa vila do bairro de Ponta Grossa. Segundo o promotor de Justiça Marcus Mousinho, o inquérito policial foi entregue à SDS há oito meses e até agora não foram repassadas informações sobre as investigações. Peço novas diligências para descobrir a autoria do crime, porque o inquérito não aponta isso, relatou o promotor. Ele revela que não tem dúvidas do envolvimento de policiais civis na morte de José Joaquim. Espancamento Marcus Mousinho reforça que os cinco policiais citados como responsáveis pelo espancamento assim como outros suspeitos do assassinato de José Joaquim continuam soltos e trabalhando normalmente. Os supostos criminosos fazem parte da estrutura polícial, destaca. O eletricista, segundo Mousinho, tentou interceder numa briga entre um policial civil e um homem que estavam bebendo juntos em um bar na Ponta Grossa. Sei que encontraram o verdadeiro culpado pela morte do policial, mas não sei onde ele está. Sei que não foi o José Joaquim, explica. Investigações retomadas O diretor-geral da Polícia Civil, Robervaldo Davino, informou ontem que vai se reunir o mais rapidamente possível com os delegados Reginaldo Assunção, Fernando Arthur e Dênisson Albuquerque, designados especialmente para dar continuidade às investigações sobre o assassinato do eletricista José Joaquim. O Ministério Público pediu novas deligências nesse caso e estamos trabalhando no processo. Vou conversar com os delegados para saber como andam as investigações, acrescentou Robervaldo Davino. O documento do MP dando prazo para apresentação do andamento das investigações foi entregue na noite da última terça-feira, na Secretaria de Defesa Social. Robervaldo Davino declarou que também vai pedir empenho na investigação sobre a morte do policial civil que estava com o eletricista. A morte do José Joaquim aconteceu por causa da morte do policial. Ainda não tive tempo de me reunir com os delegados, mas vou fazer isso o mais brevemente possível, disse. Ao contrário do que informou o promotor Marcus Mousinho, Davino diz que nunca ficou provado o envolvimento dos policiais no assassinato de José Joaquim. Nunca ficou provado nada contra eles. Os policiais civis estão trabalhando normalmente, enfatiza. Armas periciadas O resultado da perícia deu negativo nas 28 armas que foram aprendidas pela cúpula da SDS. Na época, elas chegaram a ser encaminhadas a Brasília, mas voltaram para Alagoas sem que técnicos fizessem a perícia. A última notícia que eu tive foi que as armas estavam com o juiz Daniel Acioly, em cartório, para serem entregues aos policiais que comprovarem a propriedade das armas, destaca Marcus Mousinho. O promotor confirma que pode acionar a corregedoria caso não tenha informações sobre o andamento do processo.