Polícia
Eles estão fazendo queima de arquivo
| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter O ex-policial militar Garibalde Amorim disse ontem de manhã, ao deixar o presídio Baldomero Cavalcanti em liberdade condicional, como a Gazeta anunciou em matéria exclusiva nessa sexta-feira, que o delegado Osvanilton Oliveira e o ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante são hoje os maiores interessados em sua morte. Dizendo-se um homem marcado para morrer, Garibalde afirmou que a primeira providência ao sair da prisão seria deixar o Estado, já que sua vida acabou. Se magistrados como o Helder Loureiro estão ameaçados de morte, imagine uma pessoa como eu. As acusações mais contundentes feitas pelo ex-policial foram contra o delegado Osvanilton Oliveira. O delegado foi acusado de torturar testemunhas para incriminá-lo como assaltante de banco e nos assassinatos do prefeito de São Luiz do Quitunde, José Osório, em Paripueira, e do pedreiro Joacir dos Santos, em Paripueira, ambos ocorridos na década de 90, quando Garibalde fazia parte do grupo do ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante. Osvanilton seqüestrou pessoas em Porto Calvo, prendeu sem mandado de prisão e enfiou até pau no ânus, para que elas testemunhassem contra mim. Garibalde disse que a morte do fazendeiro Fernando Fidélis, assassinado há duas semanas dentro do presídio Baldomero Cavalcanti, foi uma queima de arquivo. Ele afirmou que Fidélis morreu porque falou o que sabia sobre vários crimes ocorridos em Alagoas, como o caso Sílvio Vianna, a morte do Ebson Vasconcelos (o Êto). E que a intenção seria matá-lo também dentro do presídio. Estou vivo agora, graças ao apoio que recebi do doutor Everaldo Patriota (do Conselho Estadual de Direitos Humanos) e do doutor Delson Lyra (da Procuradoria da República) que me acompanharam nesses oito anos em que estive preso. Para Garibalde, até mesmo o ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante corre risco de morte se voltar para o presídio Baldomero Cavalcanti. E também as pessoas que testemunharam contra ele nos inquéritos conduzidos pelo delegado Osvanilton estão marcadas para morrer. Eles estão fazendo queima de arquivo. Sobre seu relacionamento com Cavalcante, o ex-soldado afirmou que não tem nada contra ele. Mas que a única coisa que não agrada em Cavalcante é que ele gosta de ter todo mundo debaixo dos seus pés. Cavalcante fica ameaçando as pessoas para ter sempre elas debaixo de seus pés. Ele disse que a pior coisa que lhe aconteceu foi ter sido transferido para o Batalhão da Polícia Militar em Maragogi, onde Cavalcante era comandante na época. Hoje estou pagando por isso. ### Por trás dos crimes, pessoas influentes Garibalde Amorim teme pela própria vida, apesar de se dizer inocente. Ele disse que deseja ser incluído no Programa de Proteção a Testemunhas, do governo federal. Vou procurar o Ministério da Justiça para denunciar tudo o que a Secretaria de Segurança Pública (Secretaria de Defesa Social) e a Justiça fizeram contra mim em Alagoas. Eles podem me matar lá na porta do Ministério da Justiça, mas eu vou lá, avisou. Apesar de não se sentir seguro no presídio Baldomero Cavalcanti, onde ficou preso por oito anos, Garibalde disse que estava ainda mais preocupado com a sua seguraça ao deixar a prisão. E reafirmou que cumpriu 10 anos de prisão (considerando os dois anos de pena que teve reduzido por trabalhar dentro do presídio) por crimes que jamais cometeu. A Justiça e a Segurança Pública de Alagoas sabem que sou inocente. Ele denunciou que a Justiça sabe quem foi o mandante da morte do coordenador de Arrecadação Tributária, Sílvio Vianna, ocorrido no dia 28 de outubro de 1996. Todo mundo sabe quem matou Sílvio Vianna, quem matou Ceci Cunha. Quem mandou matar Sílvio Vianna está solto, andando na praia. Laranjas Segundo Garibalde, por trás desses crimes estariam pessoas influentes no Estado. Ele acusou a segurança do Estado de acobertar crimes, colocando laranjas na prisão. Dentro do presídio existem vários laranjas, pessoas inocentes que estão pagando por crimes que não cometeram. Garibalde classificou como farsa as denúncias feitas pelo Sombra sobre a morte do tributarista Sílvio Vianna. Aquele rapaz foi pago para dizer tudo aquilo. Para garantir a sobrevivência ao deixar a prisão, Garibalde disse que pode até varrer chão, ir morar no exterior, mas não vai ser bandido. Eu nunca fui bandido. Me acusaram de ser assaltante de banco, coisa que nunca fiz. Eu fui bancário, trabalhei no Bradesco, e sempre fui considerado bom funcionário. O ex-policial Garibalde Amorim deixou o presídio Baldomero Cavalcanti por volta das 10h30, escoltado por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Por motivos de segurança, a imprensa foi impedida de acompanhar os carros que levaram Garibalde, provavelmente para o aeroporto, já que ele estaria deixando o Estado. O juiz da Vara de Execuções Penais, Marcelo Tadeu, é o único a saber do destino tomado pelo ex-policial Garibalde Amorim. O juiz negou qualquer espécie de acordo para libertação de Garibalde. E garantiu que sua saída do presídio nada tinha a ver com o assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis e as ameaças de morte contra Garibalde. Marcelo Tadeu explicou que há mais de sete meses Garibalde requereu o pedido de liberdade condicional. Eu assumi a Vara de Execuções Penais há um mês. Assim como Garibalde existem outros presos que já cumpriram o tempo de ter a liberdade condicional. O juiz confirmou que vai pedir ao Ministério da Justiça a inclusão de Garibalde no Programa de Proteção a Testemunhas. Por enquanto, ele disse que Garibalde foi orientado a tomar algumas precauções, entre elas deixar o Estado. |FAB