Polícia
Armas continuam a entrar em presídios
EDNELSON FEITOSA Repórter MÁRIO LIMA Editor de Cidades Ninguém da Secretaria de Ressocialização soube informar, ontem, como entraram as armas que provocaram um começo de rebelião no Cirydião Durval, na noite de quinta-feira, quando um grupo de 20 detentos, liderados pelo preso Antônio Marcos Soares, 23, o Carioca, assustou os guardas internos e a cúpula da Secretaria de Ressocialização (SDS), com o disparo de mais de 30 tiros, entre as grades das alas internas, para fora do presídio. A SDS não apresentou as armas apreendidas, após uma tensa negociação que acabou no final da noite, entre os presos rebelados e o próprio secretário de Ressocialização, coronel Aurélio Rosendo, com a rendição do grupo. Rosendo anunciou que vai mandar abrir um procedimento administrativo interno e um inquérito policial, que será presidido pelo delegado do 10º Distrito, Denisson Albuquerque, para investigar como se deu a entrada de armas no presídio. A entrada de armamento nos presídios alagoanos tem sido uma das causas que levaram à atual crise do sistema prisional. O caso mais grave aconteceu em 28 de outubro, quando o detento Edson dos Santos, o Pé de Cobra, usando um revólver calibre 38, assassinou o fazendeiro Fernando Fidélis, dentro do Baldomero Cavalcanti. O inquérito sobre o caso está parado, e a polícia ainda não sabe quem entrou com a arma, que se encontra na Justiça, sob a guarda do juiz Braga Neto, da 8ª Vara Criminal. Divergências No princípio de rebelião no Cirydião Durval, na quinta-feira, a Gazeta apurou que os presos portavam quatro pistolas 380 mm e dois revólveres calibre 38. Já a polícia afirma que apreendeu com o grupo dois revólveres, um 38 e outro 32. As armas estariam com os detentos Carioca, e Marcelo, o Pernambucano. A rebelião começou no Módulo G-6, por volta das 20h30, quando os presos do Cirydião Durval quebraram uma das paredes da cela onde estavam e tentaram fugir. Numa ação rápida, os agentes conseguiram impedir a fuga. Carioca, que estava com um dos revólveres, fez exigências. Só aceitou negociar a entrega das armas na presença da esposa, Maria Lopes da Silva, que está grávida; do seu advogado, Sílvio Arruda, e do juiz das Execuções Penais, Marcelo Tadeu, que chegou ao presídio por volta das 23 horas, quando a situação ainda estava tensa. Varredura Oitenta homens do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) fizeram uma varredura nos cinco módulos do Baldomero Cavalcanti. O pente-fino durou toda a manhã de ontem. Os oficiais da PM que comandaram a operação de varredura no Baldomero informaram ter apreendido um aparelho celular e cerca de 50 espetos. Vasculhamos todas as celas e não havia armas de fogo, garantiu um militar. O trabalho foi solicitado ao comando do Bope pelo coronel Aurélio Rosendo, preocupado com o incidente da noite anterior. ### Ressocialização muda cabeças do sistema O Diário Oficial (DO) de ontem trouxe as primeiras mudanças realizadas pelo secretário de Ressocialização, coronel Aurélio Rosendo. O diretor de disciplina do Baldomero Cavalcanti é João Cerqueira Cavalcante, que substitui Mário Jorge, que se encontra preso na sede da Superintendência da Polícia Federal. Jorge é acusado de envolvimento na trama que resultou no assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis, ocorrido numa das celas daquele presídio. RUBENS QUINTELLA O major PM José dos Santos foi designado para dirigir o presídio Rubens Quintella, hoje um dos mais complicados do sistema, em lugar do delegado aposentado José Francisco de Lima. Segundo a portaria do DO, a substituição será imediata. As mudanças atingiram também o mais alto escalão da secretaria. O superintendente de Administração Penitenciária, delegado José Fernandes do Nascimento, foi substituído por Sílvio de Bonis Almeida Simões. O chefe de Gabinete da Secretaria de Ressocialização, delegado Juraci César e Silva, considerado o braço direito do ex-secretário Valter Gama, será substituído pelo tenente PM Armando Leite da Silva. Outro oficial da Polícia Militar será o novo diretor da Colônia Agroindustrial São Leonardo.