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Assassinato provoca revolta em Coruripe

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MAIKEL MARQUES Repórter Coruripe - A população de Coruripe protestou contra a violência, ontem pela manhã, durante o enterro do técnico de enfermagem José Maciel da Cruz Silva, 29, que foi torturado e assassinado, com sinais de extrema crueldade. Antes de ser morto com uma facada no pescoço, sofreu violência sexual e teve mãos e pés amarrados com lençóis. Homossexual assumido, Maciel era conhecido por todos na cidade e considerado uma pessoa de boa índole, o que lhe conferiu em 2004 o título de Miss Coruripe Gay. Ele foi visto pela última vez no início da madrugada de terça-feira, quando regressou de Maceió - onde fazia curso de aperfeiçoamento - e passou para cumprimentar os amigos de profissão no setor de emergência do hospital onde trabalhava há seis anos. Estamos chocados com o seu assassinato, disse Dorgival Francelino dos Santos, que era amigo da vítima. De acordo com os primeiros levantamentos da Polícia Civil, depois de deixar o hospital José Maciel foi a pé até sua residência, no centro da cidade. Ele tinha alugado imóvel para viver sozinho há um mês. Pouco depois de chegar em casa, ele teria recebido a visita de dois homens. Para surpresa da vizinhança, o volume da TV e do aparelho de som foram elevados acima do usual. De acordo com a polícia, um dos visitantes manteria relacionamento amoroso com José Maciel, que não tinha feito qualquer comentário sobre supostos relacionamentos amorosos. Não sabíamos se ele estava se relacionando com alguém, disse à Gazeta Dorgival Francelino, militante gay que faz cobranças pelo esclarecimento do crime. Segundo o delegado Valdeks Pereira da Silva, José Maciel da Cruz e os dois visitantes teriam iniciado conversa amistosa seguida de relação sexual que culminaria com o crime que chocou a população da cidade. É provável que a vítima tenha mantido relação sexual com um dos assassinos. Havia camisinha ao lado da cama onde ele foi assassinado, conta o delegado. Ainda de acordo com o delegado, José Maciel teve mãos e pés amarrados por lençóis antes de ser morto com um golpe de faca no pescoço. ### Vizinho ouviu apelo: Não me matem! Coruripe - Agentes da Polícia Civil estão em diligências na cidade desde o dia do crime. Informalmente, já colheram com parentes e amigos informações sobre a rotina de José Maciel da Cruz. Ontem à tarde, o delegado Valdeks Pereira colheu depoimento dos quatro vizinhos da vítima. Segundo apurou a Gazeta, um deles teria ouvido a vítima gritar: Não me matem! Levem tudo, mas não me matem! Hoje pela manhã, o delegado deve colher o depoimento dos parentes de Maciel. De acordo com Valdeks Pereira, informações de amigos e familiares serão decisivas para que a polícia descubra a identidade dos autores materiais do crime. Em princípio, trata-se de crime de latrocínio. O suspeito seria um amante da vítima. Só não sabemos o nome dele, completa Valdeks Pereira. O técnico de enfermagem José Maciel da Cruz Silva trabalhava há mais de seis anos como técnico em enfermagem no setor de emergência do hospital público da cidade. Pode olhar aí! Tem preto, pobre, rico, político e milionário. Todos estão no enterro prestando uma última homenagem ao Maciel, afirmou Jackson, outro amigo da vítima e que atua como transformista durante o tradicional concurso Miss Coruripe Gay. Cidadão reservado e que desde cedo deixou clara sua opção sexual, Maciel tinha apoio de toda a sua família. Ele respeitava e exigia respeito. A sociedade o aceitava sem problema algum, contou o militante gay Dorgival Francelino. Agora estamos com medo. Exigimos apuração rigorosa do crime e punição exemplar para os acusados dessa barbaridade, completou Dorgival. Durante o enterro também houve discurso de cabo eleitoral avisando que autoridades municipais também exigiam esclarecimento do caso. Em meio ao clima de muita emoção, parentes e centenas de pessoas foram ao cemitério prestar sua última homenagem ao amigo José Maciel da Cruz. Você sempre será exemplo de homem decente, honesto e honrado. Deixará saudades, falava uma prima de Maciel. Logo após o sepultamento, o amigo Jackson mostrou álbum com fotografias do concurso Miss Coruripe Gay. Por unanimidade de votos, Maciel - conhecido como Raíssa - venceu a disputa. No ano seguinte, passou a faixa ao colega Otávio, que utiliza o nome de Milena Kavinki. MM Durante o enterro de José da Cruz população também protestou contra a violência Cruz (E) passa a faixa de Miss Coruripe Gay 2004 para colega

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