Polícia
50% dos assaltos s�o feitos com r�plicas de armas
EDNELSON FEITOSA As armas de brinquedo já não têm o papel apenas de lazer da criançada alagoana como em outras décadas. Segundo dados da polícia, cinqüenta por cento dos assaltos em Maceió são praticados com réplicas de pistolas e revólveres, fato que preocupa as autoridades policiais. Seis inquéritos de flagrante de assaltos com este tipo de arma foram abertos, este ano, pelo delegado de Roubos e Furtos, Jobson Cabral de Santana. Na semana passada, quatro rapazes foram presos assaltando pessoas no bairro do Trapiche da Barra. Com eles, a polícia apreendeu uma pistola de plástico similar a uma arma de calibre 9 milímetros. ?O que era para ser um brinquedo nas mãos das crianças tem feito muitas vítimas?, afirmou Jobson Santana, acrescentando que tais armas são encontradas com facilidade em pequenos estabelecimentos comerciais da área do Mercado da Produção; bem como no Centro da cidade. Com R$ 10,00 qualquer pessoa pode adquirir uma réplica de uma pistola importada, tão parecida com a verdadeira que o portador pode dar um golpe (como se fosse municiar) e até retirar e recolocar o carregador. O delegado de Roubos e Furtos informou que intimidar para assaltar com arma de brinquedo é um crime qualificado; ou seja, tem uma pena acrescida de um terço (Art. 157, Parágrafo 2º), cuja condenação pode chegar a 13 anos de cadeia. Ele defende o fim da venda das armas de brinquedo, a exemplo de outras capitais como o Rio de Janeiro. Na semana passada, Fagner José de Oliveira dos Santos, 19, Anderson Augusto Santos Figueiredo, 18, Washington Ramos Oliveira dos Santos Lessa, 18, e Cleidson Jonatas da Silva Lessa, 22, foram flagrados por policiais militares da Radiopatrulha assaltando pessoas no bairro do Trapiche da Barra, utilizando uma pistola de brinquedo calibre 9 milímetros. Presos e conduzidos à Delegacia de Roubos e Furtos, eles estão indiciados em inquérito policial e podem ter prisão preventiva decretada pela Justiça, ainda esta semana. O subcomandante da Radiopatrulha, capitão Gilmar Batinga, informou que aquela unidade já apreendeu 140 armas de brinquedo, este ano. A maioria era réplica de pistolas dos mais variados calibres, utilizadas em assaltos, inclusive contra farmácias e mercadinhos da periferia de Maceió. ?À noite não dá para perceber se são armas de verdade e minha recomendação para as vítimas é de que nunca reajam?, advertiu o oficial da Polícia Militar. O capitão Gilmar explicou que tais armas são muito usadas por adolescentes infratores, com idades entre 15 e 17 anos, que escolhem também portas de escolas para seus assaltos. Para inibir a ação desses marginais, a RP tem feito um trabalho rigoroso de revista de pessoas em locais suspeitos. No entanto, a maior parte das pessoas detidas com armas de brinquedo não fica presa e nem é submetida a Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), pois os delegados consideram um crime insignificante e preferem punir os culpados com a apreensão do objeto e uma séria repreensão. No entender do subcomandante da Radiopatrulha, as pessoas podiam minimizar este tipo de roubo com atitudes defensivas; tais como, evitar ostentar objetos de valor, não deixar celulares à mostra, não abrir carteiras recheadas de dinheiro em público, assim como não trafegar a pé em ruas desertas, não transitar em locais mal iluminados ou ficar sozinho num ponto de ônibus. Ele revelou que uma nova modalidade de assalto que vem sendo praticado em Maceió é a dos falsos casais que ficam em locais de pouco movimento para atacar pessoas descuidadas. ?Quem pode imaginar que duas pessoas se abraçando num canto, afastadas, são bandidos? E eles aproveitam esse descuido para roubar?, informou o capitão da PM. No entender do capitão Gilmar Batinga e do delegado de Roubos e Furtos, Jobson Cabral de Santana, a Secretaria de Defesa Social deve iniciar um trabalho, com a finalidade de impedir, de alguma maneira, a venda de armas de brinquedo no comércio local.