Polícia
Rua Augusta � alvo f�cil das a��es dos marginais
Um dos locais reconhecidamente mais abandonados no centro da cidade é a Rua Augusta. Nos últimos meses, vem sendo o ponto predileto das gangues. A partir das 18h, policiais experientes não recomendam a circulação pelo local, pois é evidente o risco que se corre, sobretudo se a pessoa estiver sozinha. Estreita e coberta por árvores enormes, a antiga Rua Augusta já foi palco de assassinato. Ali tombou o vigilante Ebson Vasconcelos, à luz do dia, um crime não esclarecido. O ambulante José Ferreira da Silva, 40, há dez anos vende ervas medicinais para manter a família. Disse que foi alvo de alguns assaltos. Como seu faturamento é reduzido, os ladrões não costumam incomodá-lo. ?Certa noite, eu me arrumava para ir embora quando fui cercado por quatro homens. Um deles, drogado, usava uma faca e a todo tempo me pedia dinheiro. Depois de muita conversa, dei R$ 10 e fiquei livre?, lembra o vendedor. Manuel Pereira Lins tem 56 anos e vende doces em calda, que ele mesmo fabrica, em sua residência em Bebedouro. Ele lembra que em janeiro foi para o comércio e levou dez latinhas de doce para vender. O dia não foi dos melhores, mas ele conseguiu vender metade. No final da tarde, debaixo de muita chuva, foi para o ponto do ônibus. Só havia ele e um senhor, de cerca de 70 anos. ?Me sentei no banco e, de repente, me vi cercado por menores armados com facas, pedras e paus. Recebi ordem para ficar calado e entregar o dinheiro. Como naquela ocasião não havia um policial sequer, peguei o meu apurado e passei para os marginais?, lembra, revoltado. A exemplo de José Ferreira da Silva e Manuel Pereira Lins muitas pessoas foram vítimas de assaltantes naquela área. Atualmente, uma viatura da Polícia Militar de Alagoas faz rondas no local para evitar a ação das quadrilhas. A situação é tão grave na Rua Augusta quem nem mesmo as vendedoras de milho, pastel, acarajé, confeito e cartão telefônico estão livres das galeras que se formam de repente.