Polícia
Tubos de PVC, porcas e at� garfos viram armas
Ferimentos graves e morte são causados por armas artesanais, objetos de alto risco, que estão sendo retirados das ruas todos os dias pela polícia alagoana. Tubos de PVC, canos galvanizados, porcas de parafusos, garfos de cozinha, engenhocas criadas em oficinas e até nos fundos de quintais, onde o material mais inusitado possível é utilizado pelo fabricante. Peças de acabamento impecável e aparência inofensiva que se tornam um artefato mortal nas mãos dos criminosos potenciais. As armas são de engenharia simples. Tubos de PVC que, quando se desconecta, transformam-se num mortífero punhal com cabo e bainha (parte que muitas vezes e retirada pela própria vítima, que indefesa se aterroriza com uma lâmina afiada e pontiaguda vindo em sua direção). O delegado Roserval de Moraes apreendeu uma dessas num forró, quando era da Delegacia de São Miguel dos Campos. Ainda hoje é utilizado como material didático para novos policiais. Instrumento semelhante foi apreendido no Reginaldo por uma guarnição da Rádio Patrulha, comandada pelo capitão Gilmar Batinga, responsável também pela apreensão de canos galvanizados que se acoplados se tornam uma espingarda de grosso calibre. Para tanto, é preciso apenas uma batida com força, pois um pedaço abriga a munição; o outro, um pino capaz de acionar a espoleta. Soqueiras de porcas Também faz parte do arsenal de instrução do delegado Roseval de Moraes soqueiras feitas de porcas ? soldadas a um pedaço de ferro ? com peso de quase meio quilo ?, soqueiras de garfo de cozinha e pequenas improvisações de metal, menos letais e de igual poder ofensivo. A improvisação é a palavra de ordem daqueles que querem burlar a lei e andar armado. Tem aquele que usa pequenas armas brancas, escondidas em solas de sapato, dentro do chinelo ou na fivela do cinturão. Bem como estiletes, que são encontrados em bainhas de calças, em bonés e até em barras de camisa. São armas que se ?escondem? das estatísticas oficiais do Ministério da Justiça, pois são tratadas como armas brancas (de pouco interesse oficial), pois não parecem chamar muita atenção dos políticos e das autoridades; senão, dos profissionais responsáveis mais diretamente pela segurança pública: os verdadeiros policiais. Apreensões mensais O subcomandante da Rádio Patrulha, Gilmar Batinga, informou que pelo menos duas dessas armas artesanais são apreendidas pelo pessoal da RP todo mês. Os policiais recebem um treinamento especial para identificar este tipo de porte ilegal. ?Apanhamos um homem dizendo que era encanador, mas tinha em sua bolsa um punhal?, relatou o oficial da PM, ressaltando que não é difícil para um policial experiente descobrir que há algo de errado com a pessoa abordada mesmo que, aparentemente, ela não pareça não ter nada de anormal. Nas instruções diárias, os militares da RP são alertados para coisas bem simples. Se a pessoa abordada muda o semblante ou não encara o policial, isto pode ser entendido como sinal vermelho; então, a revista deve ser rigorosa. Os policiais mais experientes percebem que há risco até quando a pessoa que está sendo revistada pela guarnição se sente incomodada. Na Grota do Estrondo, no Feitosa, por exemplo, um homem vinha com dois pedaços de cano galvanizado, ambos com uma espécie de cabo. Foi o alerta: era uma espingarda de grosso calibre que ele tinha feito para matar seu próprio vizinho. Penalidades O capitão Gilmar frisou que as armas improvisadas são feitas por serralheiros ou mesmo armeiros, gente que trabalha com artefatos de ferro. Ele lembra que, apesar de artesanal, trata-se de uma arma de fogo sujeita a toda e qualquer legislação do gênero, ou seja, a pessoa que está de posse será levada a uma delegacia e submetido a Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Nos casos de arma branca, que praticamente não existe legislação pertinente, o suspeito é desarmado e conduzido à delegacia, mas fica preso apenas para averiguação.