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Prefeito de Satuba � acusado de mandar assassinar mulher

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O prefeito de Satuba, Adalberon de Moraes, será indiciado em mais um homicídio. Ele é acusado de mandar seqüestrar e assassinar a feirante Gisele Suplime dos Santos, 31, que foi morta com um tiro na cabeça e teve o corpo queimado, encontrado em um canavial, no Benedito Bentes, em 25 de agosto de 1997. A declaração é do delegado Arnaldo Soares de Carvalho, do 8º Distrito, com base em denúncia feita pelo feirante José Pedro dos Santos, 65, pai de Gisele Suplime, que prestou depoimento no dia 31 de julho do corrente ano, naquela distrital, e aponta o político como mandante da execução de sua filha. Soares de Carvalho disse que o inquérito que apurava a morte de Gisele estava arquivado, porque a polícia não havia chegado à autoria material e intelectual. Contudo, com a denúncia recente, o caso foi reaberto e o prefeito denunciado como pessoa envolvida. Soares disse que foi procurado pelo feirante José Pedro, que lhe disse ter criado coragem para denunciar o político pelo fato de ele estar preso e não oferecer perigo para sua família, que foi obrigada a se mudar da cidade de Satuba, no ano em que a filha foi morta. ?A Gisele era feirante em Satuba e numa reunião com o prefeito, ficou sabendo que teria sua banca deslocada para uma área de pouca movimentação. Não aceitou. Discutiu acirradamente com Adalberon, que lhe disse: ?A senhora nunca mais vai fazer feira em meu município e em lugar nenhum?. Dias depois, ela foi seqüestrada, no Tabuleiro do Martins, e depois apareceu assassinada?, relata o delegado Arnaldo Soares de Carvalho, que apura o crime. Caso Bandeira: Adalberon tem prisão preventiva solicitada RÓDIO NOGUEIRA Após 73 dias de investigações, 42 pessoas interrogadas e dois volumes contendo 600 páginas, os delegados Cícero Lima, Maurício Henrique e Washington Luiz, anunciaram, ontem, a conclusão do inquérito que apurou o assassinato do professor Paulo Henrique Costa Bandeira, 43, que desapareceu no dia 2 de junho, e foi encontrado carbonizado no dia 4, dentro de seu veículo, em um matagal na zona rural da cidade de Satuba. A vítima deixou uma fita e uma carta onde denuncia o prefeito Adalberon de Moraes, por desvio de recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef). O processo foi entregue ao secretário Robervaldo Davino, que o enviará para o Tribunal de Justiça. Durante entrevista coletiva na Academia de Polícia Civil, ontem, as autoridades policiais anunciaram ter solicitado à Justiça a prisão preventiva do prefeito Adalberon de Moraes, como autor intelectual do crime e dos cabos PMs, Geraldo Augusto e Ananias de Lima, além de Marcelo José, chefe de gabinete do prefeito, como autores materiais. Informaram também que indiciaram por falso testemunho Nancyr Pimentel, diretora da escola Josefa Costa (onde o professor lecionava); Antônio Vieira, diretor adjunto; Denilton Pereira, motorista; e Maria José Santos, moradora da cidade de Satuba e de onde foram feitas ligações para o professor Paulo Henrique Bandeira. Também foi pedida a prisão de outro envolvido no crime, cujo nome não foi revelado. ?Se eu disser o nome da pessoa ela foge?, ressalta Cícero Lima. Os delegados também apresentaram o resultado do exame de DNA realizado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), para garantir que o corpo encontrado carbonizado era realmente do professor Paulo Bandeira. A fita deixada por ele foi analisada por peritos da Polícia Civil e a carta, submetida a exame grafotécnico, para não deixar dúvidas. A polícia, no entanto, aguarda os extratos das ligações efetuadas pela Prefeitura, entre os dias 2 e 8 de junho, para checar mais informações sobre o crime. Mas, na visão dos delegados, o homicídio está devidamente esclarecido e a autoria conhecida, indiciada e com pedido de prisão preventiva. Cícero Lima disse que uma das muitas provas materiais de que o prefeito de Satuba estava efetivamente envolvido com o crime é o fato de ele mandar gravar todas a denúncias que o professor Paulo Henrique costumava fazer, durante as reuniões na sede da Prefeitura. O delegado Washington Luiz, que investigou desvios do Fundef, encontrou irregularidades na Prefeitura. Adalberon será ouvido sobre crime O delegado Arnaldo Soares de Carvalho, que preside o inquérito sobre a execução da feirante Gisele Suplime dos Santos, afirmou, ontem, que, no máximo em dez dias, vai interrogar o prefeito de Satuba, Adalberon de Moraes, já na condição de indiciado, com base no depoimento de José Pedro dos Santos (pai da vítima), fundamental para esclarecer os fatos, levando a indícios de que o chefe do Executivo daquele município é, realmente, o autor intelectual do crime. Resta, agora, descobrir a identidade dos autores materiais. ?Quando uma autoridade policial decide pedir indiciamento é porque, efetivamente, tem elementos de convicção?, explica o delegado. Carvalho relata que vai ouvir mais pessoas, sobretudo, alguns feirantes que estavam naquela reunião, na sede da Prefeitura Municipal de Satuba, em 1997. Alguns já foram identificados e serão convidados para prestar declarações à polícia. Os nomes não podem ser revelados, como medida de segurança. Ele quer, também, esclarecer a origem de um carro preto, ocupado pelos quatro homens que seqüestraram Gisele Suplime, próximo da Bomba do Gonzaga, no Tabuleiro do Martins, e cometeram o crime. Explica que a ameaça feita à feirante, na reunião, foi comunicada pela própria Gisele ao seu pai. Com a reabertura do inquérito, muitos fatos serão revelados e outras denúncias contra o prefeito podem ser feitas à polícia, segundo Arnaldo Soares.

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