Polícia
Cresce participa��o de mulheres em crimes
O delegado de Roubos e Furtos (DRF), Milton Gomes, revela que o número de mulheres envolvidas nos crimes de roubo e furto, em Maceió, está crescendo. Ele informou que o perfil das acusadas também está mudando, pois parte das mulheres indiciadas em inquéritos na DRF integra a classe média e tem bom nível de escolaridade, ou seja, já cursou ou cursa o Ensino Médio, diferente do que acontecia no passado, quando todas eram das camadas mais pobres da sociedade e semi-analfabetas. O delegado percebeu, também, que a maioria é primária (envolveu-se no primeiro crime) e jovens entre 18 e 20 anos. No ano passado, 21 inquéritos abertos na Roubos e Furtos apresentaram mulheres como acusadas de roubo, furto, receptação (dolosa), apropriação indébita e formação de quadrilha, crimes que podem levar a penas de, em média, quatro anos de prisão, levando-se em conta que elas sejam primárias. Nos oito meses de 2003, já são 20 inquéritos apontando mulheres como indiciadas. O delegado Milton Gomes destacou que a maioria dos inquéritos foi originada de prisão em flagrante, citando como exemplo a prisão de Gelza Barbosa de Oliveira, Rosimery da Silva, Kaline da Conceição, Carmem Lúcia de Alencar e Edleuza Maria Nunes Silva, detidas pela segurança de uma loja no Shopping Iguatemi e entregues à polícia, sob a acusação de furto. Elas confessaram o crime e estão recolhidas ao Presídio Feminino de Santa Luzia. Segundo o delegado, as cinco mulheres se enquadram bem no perfil. ?São pessoas que estudaram, quase todas são casadas, de classe média e têm bom nível intelectual?, declarou Milton. Já Mikaeli Araújo da Silva, presa por tentativa de latrocínio (assalto seguido de agressão) é pessoa humilde. Ela foi presa em junho e também levada ao presídio feminino. Problemas financeiros O delegado de Roubos e Furtos de Maceió atribui a problemas financeiros a participação de mulheres em crimes. São pessoas que perderam ou estão perdendo o poder de compra e insistem em manter o padrão. Outras roubam ou furtam para conseguir dinheiro e alimentar os filhos. No entanto, terminam se metendo numa confusão maior: vão responder presas ao crime que cometeram. Milton Gomes explicou que apesar de o número de inquéritos abertos contra mulheres ser de apenas 20, a quantidade de detenções semanais para averiguações é bem maior. ?Toda semana, de 3 a 4 mulheres são detidas aqui para investigação, mas isto não resulta em inquérito, porque na maioria das vezes a pessoa praticou furto em residência ou empresa. É gente que indeniza o patrão e continua em liberdade?, frisou ele. É o caso de domésticas descobertas furtando na casa em que trabalham. ?Nós trazemos todo mundo para cá, conversamos e chegamos a uma solução para o caso. Como são pessoas que, muitas vezes, estão há anos na casa da família, ganham o direito de ficar livres. Recebem o perdão das vítimas, que pedem para que não seja aberto inquérito?, explicou. O delegado Milton Gomes lembrou, porém, do crime cometido por Maria Cleze Lima da Silva. Ela roubou todas as jóias da patroa, que, por ser ligada à Justiça, decidiu pelo indiciamento da acusada, que teve prisão decretada e foi levada à carceragem da Delegacia de Roubos e Furtos e, posteriormente, ao presídio Santa Luzia. Dos 41 casos de indiciamento, nos últimos 20 meses, 29 foram por furto, a maioria em lojas ou residências. Nove dos inquéritos apuraram crimes de roubo (assalto), praticados em sua maioria na periferia de Maceió. Edjane dos Santos, Célia Ferreira dos Santos e Maria do Carmo da Silva foram acusadas de apropriação indébita e acabaram presas; enquanto Josefa Madalena da Silva foi indiciada por formação de quadrilha, pois estava acompanhada de pessoas que cometeram um assalto. O delegado de Roubos e Furtos, Milton Gomes, que assumiu a DRF no último mês de agosto, anunciou que o combate aos roubos e furtos em Maceió será intensificado. ?Estou recebendo os meios necessários do diretor do Departamento de Polícia da Capital (Depoc), delegado Jobson Cabral de Santana, para desenvolver uma ação enérgica, principalmente quanto aos assaltos a estabelecimentos comerciais e roubo de celulares?, declarou ele, acrescentando que a repressão demonstrou os primeiros resultados, na semana passada, durante uma operação em vários bairros de Maceió, que apreendeu equipamentos eletrônicos, aparelhos celularese drogas (loló e maconha).