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Mulher assume comando de Companhia na PM

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EDNELSON FEITOSA A major PM Maria Cláudia da Silva é a primeira mulher conquistar o comando de uma companhia da Polícia Militar de Alagoas. Ela tomou posse, na última quinta-feira, na 2ª Cia. Independente, que tem sede em Novo Lino. A major Cláudia é responsável pelo policiamento em seis municípios, localizados na divisa entre Alagoas e Pernambuco, uma região marcada por conflitos agrários e com destacado histórico de pistolagem, com a participação, inclusive, de policiais militares. A mais antiga oficial feminina da PM alagoana possui graduação superior pela Ufal e curso de pós-graduação em Direitos Humanos. Iniciou sua carreira de comando à frente da Companhia Feminina, tendo comandado também uma das companhias do Batalhão Escolar. Quando foi implantada pelo então governador José Tavares, em 1987, a Companhia de Polícia Feminina (PM Fem) era um quadro separado da corporação e tinha como missão o trato com menores delinqüentes ou abandonados e com mulheres e idosos envolvidos em ocorrências policiais. Em 2001, o governador Ronaldo Lessa unificou os quadros da PM, possibilitando assim que policiais femininas possam ter acesso aos diversos postos e graduações, concorrendo em igualdade de condição com os policiais masculinos. /// Por que demorou tanto para uma mulher assumir um posto de comando, visto que há dois anos as mulheres já têm o direito de comandar companhias e, muito em breve, até batalhões? Até 2001, os quadros eram separados, mulher só podia comandar a PM Feminina. Foi o governador Ronaldo Lessa quem promoveu a unificação, através da Lei de Organização Básica/PMAL nº 6230 de 19 de abril de 2001. No entanto, cultura não se transforma do dia para a noite. Demonstrando a competência feminina, mostramos que a unificação não deveria ficar somente no papel. Inclusive, nós já ocupávamos funções administrativas e operacionais, mas não no cargo de comando. A região de Novo Lino é problemática, tem inúmeros conflitos. Que estratégia será adotada pela companhia no seu comando, para resolver tantas questões? Chego ao comando da 2º Cia. independente com sentimento de trabalho e idéias novas para articular a região. Sei que se trata de uma região estratégica por se encontrar na divisa de Alagoas e Pernambuco, uma área de grandes conflitos agrários de luta pela terra. O ponto básico é trabalhar em contato direto com a comunidade para resgatar a credibilidade e o respeito do povo para com a Polícia Militar. Todas as ações serão pautadas dentro da lei e sedimentadas na garantia dos Direitos Humanos. Então, o trabalho de Polícia Comunitária está sendo levado também para o interior do Estado, e como a nova comandante espera receber o apoio da comunidade? Acredito que nós só receberemos o retorno da sociedade se a mesma realmente observar resultados e sentir confiança no trabalho da polícia. Pretendo atuar em linha direta com o povo. Não serei um comandante de birô. Meu objetivo é ir às ruas e apertar a mão de um por um. Quero marcar com minha postura e personalidade o trabalho na região. O novo comando já está recebendo apoio da Secretaria de Defesa Social e do comando da Polícia Militar do Estado? Realmente, para realizar um trabalho neste nível vou precisar e espero contar com o apoio do Secretaria de Defesa Social, delegado Robervaldo Davino, e do comandante-geral da PM, coronel Edmilson, para restruturação da companhia: edificação, viaturas, armamento, munição e equipamentos. Ou seja, em tudo que estivermos carentes. São mais de cem homens sob seu comando, alguns destacados no Interior há muito tempo. O que será feito para eles aderirem a nova realidade de policiamento? Estarei levando para a companhia informação e instrução para que o homem entre num novo conceito: o da Polícia Cidadã. Quero também, reordenar a estrutura operacional do Pelopes ? o pelotão de elite da região. Em primeiro lugar, conseguindo um treinamento intensivo de, pelo menos, uma semana no Bope, quando serão abordadas, entre vários aspectos, questões teóricas e, principalmente, práticas. Por exemplo, o manuseio de armas. Quero também que recebam técnicas de gerenciamento de crise e de abordagens de maneira geral. Observo que em situações de emergência será o nosso pessoal que primeiro terá de tratar a questão, algumas delas bastante complexas como o trato com os movimentos sociais. Pelo que percebemos, o novo comando quer bater de frente com a criminalidade? O objetivo é trabalhar na divisa com operações freqüentes em relação à repressão ao tráfico de drogas e armas. Combater de forma sistemática o roubo de veículos e prevenir o roubo a bancos, entre outros delitos. Para tanto, será preciso o apoio de outras instituições? Segurança pública não é feita só pela PM. Vamos buscar interação. Quero trabalhar em parceria com as polícias Civil, Federal e Rodoviária Federal. Vou procurar apoio do delegado regional de Novo Lino, Osvanilton. Vou buscar apoio e idéias para juntos montarmos e desenvolvermos um plano de ação no setor de segurança pública. E quanto às ações junto à comunidade? A região é composta de cidades pequenas (Novo Lino, Colônia Leopoldina, Joaquim Gomes, Jundiá, Campestre e Jacuípe), que têm maior movimento nos dias de feira. Nestes dias, a atividade policial será intensificada com trabalhos de radiopatrulhamento, observando questões ligadas à educação do trânsito, mantendo a ordem. E assim, conquistar a confiança da comunidade local para participar, através de denúncias, críticas, sugestões, para que a PM possa atuar com mais precisão nos pontos críticos diagnosticados pela própria comunidade.

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