Polícia
Preso grupo que vendia carne de cavalos roubados
FÁTIMA ALMEIDA E EDNELSON FEITOSA Moradores do Jacintinho e adjacências vinham consumindo carne de cavalo como carne de boi. E o que é pior: o abate dos eqüinos era feito em local clandestino, totalmente fora dos padrões de higiene necessários ao manuseio de alimentos. O flagrante foi feito, neste fim de semana, pela Delegada do 6o Distrito, Maria Aparecida de Araújo, a partir de denúncias de roubo de cavalos e de que a destinação dos animais era o abate. Três pessoas foram presas, sob acusação de abater os cavalos furtados em Maceió. O marchante Milton José dos Santos tinha um matadouro clandestino de animais na Grota do Agenor, no Jacintinho. Com ele, foram autuados na Central Integrada de Atendimento Policial ao Cidadão (CIAPC III), dois empregados, os irmãos André e Adriano dos Santos Castro. Os policiais chegaram ao acusado, através de denúncia feita por José Carlos da Silva, que teve uma égua furtada do Conjunto Stella Maris, na Jatiúca, abatida por Milton. Ele também foi responsabilizado pela égua de propriedade de Reinaldo José de Lima, furtada de um sítio, localizado no Sítio São Jorge, no Barro Duro. No local da prisão, a polícia apreendeu várias carcaças de animais abatidos recentemente. Milton informou à polícia que comprava os animais, em média, por R$ 70,00, o dobro do que pagava por um potro, por exemplo. Apontou como responsáveis pelos furtos, os marginais ?Brinquinho?, ?Bigode? e ?Agenor?, que se encontram foragidos. O marchante declarou que com a carne de cavalo fazia lingüiças e carne moída. Também vendia muita carne, aos pedaços, em domicílio. A Vigilância, que acompanhou a operação, apreendeu cerca de 100 quilos da carne de eqüinos, que estava sendo vendida no mercado do Jacintinho, já fatiada em bifes e misturada à carne bovina. Eqüinos viravam lingüiça em fábrica clandestina no Cambuci A partir da prisão dos envolvidos no furto de cavalos e abate clandestino dos animais, a polícia e a Vigilância Sanitária chegaram também a uma fábrica clandestina de lingüiça que funcionava no Cambuci, próximo ao Loteamento Antares. Segundo Ronaldo Pimentel, coordenador de Inspeção Alimentar da Vigilância Sanitária, a fábrica funcionava numa casa abandonada, sem luz e sem teto, com piso de barro e paredes em tijolo bruto, constituindo um ambiente totalmente impróprio para o manuseio de alimentos. Nem mesmo água havia no local. As máquinas utilizadas para fabricar a lingüiça de carne de cavalo estavam todas sujas e enferrujadas, apesar de apresentarem sinais de uso recente, o que indica que estavam em plena atividade. ?Um verdadeiro atentado contra a saúde pública?, diz Pimentel. A casa foi fechada definitivamente, e a lingüiça, assim como a carne, eram vendidas livremente e, certamente, foram consumidas por muita gente da região. Ronaldo Pimentel esclareceu que a carne de eqüinos não é imprópria para o consumo humano, desde que seja abatida em local próprio e manuseada de acordo com as normas de segurança alimentar da Vigilância Sanitária, o que não era o caso. ?Não existe matadouro de eqüinos registrado em Maceió?, alerta ele. Além da clandestinidade, Ronaldo Pimentel aponta a falta de higiene no local como um agravante no crime contra a saúde pública. Segundo ele, não é fácil encontrar diferenças entre a carne bovina e a carne de eqüinos, mas o consumidor pode reduzir a possibilidade de ser enganado, na hora da compra em qualquer estabelecimento, escolhendo a peça inteira e mandando fatiar ou moer na hora. Também orienta à população a ser rigorosa com o aspecto dos estabelecimentos onde compra seus alimentos.