Polícia
S�lvio Vianna: julgamento de acusados � adiado
O juiz do 3º Tribunal do Júri de Maceió, braga Neto, adiou para o dia 13 de dezembro o julgamento dos três acusados no assassinato do ex-chefe de arrecadação fiscal da Secretaria da Fazenda, Sílvio Vianna. O motivo teria sido a não convocação dos jurados em função da ausência temporária de oficial de justiça para fazer o trabalho. O ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, o fazendeiro José Fernandes Neto, o ?Fernando Fidélis, e o ex-soldado Garibaldi Santos Amorim, que estão presos no Estabelecimento Prisional Baldomero Cavalcanti, seriam julgados hoje, em sessão do Tribunal do Júri de Maceió. O fiscal de renda Sílvio Vianna foi emboscado e executado a tiros, num trecho da Rodovia AL-101, no distrito de Ipioca, no início da noite de 28 de outubro de 1996, quando retornava da casa de praia na Barra de Santo Antônio. O veículo Fiat Uno dirigido por Silvio Vianna foi interceptado ao ultrapassar uma lombada eletrônica. O crime está impune até hoje, apesar de existirem denúncias de que a morte do funcionário da Fazenda estaria ligada a um trabalho de investigação que teria descoberto irregularidades e sonegação. O advogado Sérgio Vianna, irmão de Silvio, declarou, ontem, que nos últimos sete anos tem cobrado do poder público nomes dos autores intelectuais do crime, visto que, no seu modo de entender, os dois processos em poder da Justiça apresentam indícios concretos de que Silvio Vianna foi morto porque estava investigando a ?banda podre? do fisco e os crimes de sonegação fiscal no Estado. Inclusive, o vigilante Ebson de Vasconcelos Silva, o ?Eto?, executado a tiros, em Maceió, seria o elo das duas versões apuradas pela polícia, adverte o irmão da vítima. Investigações Nas primeiras investigações, a polícia apontou como acusados o fiscal de renda Arnaldo Persiano e o agente fazendário Célio Viana, como mandantes, além do cabo Sandro Duarte e do vigilante Ebson Vasconcelos, o ?Eto?, na condição de autores materiais. Todos foram presos, mas acabaram em liberdade por falta de provas. O primeiro processo está em fase de recursos no Tribunal de Justiça. ?Eto?, que sempre negou sua participação no assassinato, declarou à Justiça que o assassinato de Vianna foi planejado por Manoel Francisco Cavalcanti e o fazendeiro Fernando Fidélis e que teria sido executado pelo ex-tenente Silva Filho e o ex-soldado Garibaldi Amorim, provocando nova investigação e o segundo processo, que pode levar os acusados a julgamento. Silva Filho acabou impronunciado, pois assegurou que estava em Arapiraca, acompanhando o deputado João Beltrão, de quem era chefe de segurança. Ebson Vasconcelos declarou à Polícia Federal, desconhecer quem seriam os mandantes, admitindo serem pessoas de grande influência no Estado. Como Vianna estava investigando casos de sonegação fiscal, os delegados responsáveis pela primeira investigação levantaram que o crime teria sido praticado a mando de empresários, com possível envolvimento de pessoas ligadas à própria Fazenda. Semanas depois, a polícia prendeu os fiscais de renda Célio Viana, Arnaldo Persiano e o cabo Sandro Duarte Guimarães, como supostos envolvidos ao assassinato. Sandro confessou em interrogatório à polícia. Na Justiça, alegou inocência e disse que foi torturado e ameaçado. Os três foram libertados. Eto foi denunciado, posteriormente, pelo ex-tenente-coronel PM Manoel Cavalcante como amigo de Sandro Duarte e um dos autores materiais do crime. Perseguido, ele se entregou à Polícia Federal, mas rebateu a acusação e acusou Cavalcante e o Fazendeiro Fidélis pelo crime.