Polícia
Viol�ncia obriga fam�lias a vender suas casas
Este ano, pelo menos vinte famílias do Village Campestre resolveram vender suas casas temendo ação de bandidos e fugiram para lugares mais seguros. Um imóvel com três quartos em um conjunto que não apresente os problemas do Village pode ser negociado por até 30 mil reais. Mas um imóvel com estas características, naquele conjunto, está tabelado em 12 mil reais e falta comprador. Um terreno de 20 metros de frente por 30 de fundos está sendo vendido por 5 mil reais e também falta comprador. ?Entre ter uma casa relativamente boa neste conjunto e ser atacado por bandidos e morto com a família, o melhor é vender e procurar segurança onde a polícia ainda passa. Eu trabalhei a vida toda como servidor público estadual. Me aposentei. Pensei que teria uma vida mansa e me vejo na obrigação de colocar minha casa à venda porque os marginais estão dando as cartas, o que representa uma vergonha para uma cidade que cresce a cada ano. Mas o que não cresce é a consideração dos homens públicos para com um povo que trabalha e paga seus impostos e ainda coloca no poder pessoas que só aparecem nos bairros em época de eleição?, lamenta José Pedro da Costa, 68, que colocou seu imóvel à venda há um mês, mas ainda não encontrou um comprador. Maria José Lins, 45, ex-dona de um mercadinho, disse que no início do ano teve seu estabelecimento comerciai invadido e assalto por dois menores. Lembra, revoltada, que a partir daquele data perdeu todo o estímulo para continuar no ramo. Atualmente vende roupas numa feirinha, no fim de semana, mas mesmo assim com medo dos bandidos. ?Certo fim de tarde eu voltava da feira quando fui seguida por dois elementos. Minha sorte foi que apareceu um policial que seguia para sua residência e os elementos mudaram de idéia. A grande verdade é que o Village Campestre é um conjunto de pobres e os homens fortes não estão preocupados com os moradores?, lamenta Maria José. Quem pode, paga um real a um vigilante noturno para garantir sua vida. Quem não pode, fica à sombra do vizinho. Os vigias noturnos recebem por semana, apesar de correr o risco de ser emboscado e morto pelos marginais. ?Tenho uma guarda particular porque o povo precisa. Cobro um real por semana para evitar que os bandidos ajam contra meus clientes. Mas, devo confessar, mesmo assim alguns imóveis já foram arrombados?, relata o vigilante José Benedito Apesar das denúncias feitas pelo líder comunitário José Fernando e alguns moradores do Village Campestre, o delegado Roberto Lisboa, diretor do Departamento de Polícia Central (Decepoc), afirma que a Secretaria de Defesa Social não prioriza bairro e nem cidade. A Polícia Civil está para servir a sociedade de forma geral. Quanto aos problemas daquele logradouro, Roberto Lisboa disse conhecer, mas entende que existe exagero. ?Temos o distrito atuando no bairro e viaturas fazendo rondas. Já prendemos muitos bandidos que atuavam ali e vamos fazer muito mais?, explica o delegado Roberto Lisboa. O comando da Polícia Militar de Alagoas, por meio de sua assessoria, garante que o 5º Batalhão de Polícia Militar, sediado no Conjunto Benedito Bentes, atua no Conjunto Village Campestre com bons resultados. (RN)