Polícia
Homic�dios e acidentes matam cinco por dia em Alagoas
Em Alagoas, morrem cinco pessoas por dia, vítimas de homicídios e acidentes de trânsito, segundo dados apresentados pelo secretário estadual de Saúde, Álvaro Machado, na abertura do I Seminário Estadual sobre Acidentes, Violências e Saúde Pública, realizado em setembro. Nestes dados, não estão contabilizados acidentes domésticos e de trabalho, outras causas externas que levam à mortalidade. Diante desses fatos, e em coerência à política nacional de combate à mortalidade por violência (causas externas), a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) estará participando da passeata pelo desarmamento da população, que estará sendo realizada em Maceió, na sexta-feira, dia 31, como ocorreu em outras cidade do Brasil. De acordo com Álvaro Machado, uma internação hospitalar para vítima de arma de fogo custa R$ 245 por dia, para o Sistema Único do Saúde (SUS). ?O mais importante, porém, não é a elevada despesa e sim o crescente número de óbitos causados pela violência e o número elevado de pessoas que apresentam seqüelas pelo resto da vida?, explicou Álvaro Machado. Hoje no Brasil, de cada dez adolescentes que morrem, sete óbitos são por causas externas. A violência é hoje um grave problema de saúde pública, com forte impacto na morbidade e mortalidade e, conseqüentemente, na qualidade de vida da população, assim, como nos custos do SUS. O seminário contou com a presença do senador Renan Calheiros, autor de um projeto que prevê desarmamento da população e desencadeou uma luta de todo o País neste sentido. Crimes fúteis ?Quantos crimes fúteis são cometidos, exclusivamente, porque na hora de uma discussão num bar, num restaurante, no futebol, no trânsito, naquele momento, as pessoas portavam armas de fogo, e quantas agressões e crimes podemos evitar se realmente a população estiver desarmada? ? Indagou o secretário. Ele citou o último Maceió Fest, onde um adolescente foi agredido por uma arma branca numa discussão fútil. Ficou tetraplégico e está internado no Hospital Sanatório desde o ano passado, vivendo de forma vegetativa. Com este adolescente, a Sesau gasta em torno de R$ 8 mil ao mês. O senador Renan Calheiros disse que a violência, a criminalidade, a impunidade é talvez o maior problema do País, ?coisas que humilham, sem dúvida, perante outros países do mundo?. A mortalidade provocada pela violência atingiu proporções tão altas que trouxe reflexos na própria expectativa de vida da população, especialmente entre homens. ?Para a saúde pública, isto é um retrocesso, visto que o ganho de vidas obtido, a partir da diminuição das mortes por doenças infecto-contagiosas se esvai, é perdido agora pelas violências?, destacou o senador, lembrando que a cada ano, no planeta, mais de 1,6 milhão de pessoas perdem a vida violentamente. A violência, portanto, é uma das principais causas de mortalidade na população de 15 a 44 anos. Desde os anos 80, o Brasil elevou a sua mortalidade violenta em 27% e hoje, 80% das internações do SUS são por causas externas. Rio de Janeiro e Roraima lideram o coeficiente de mortalidade por causas externas, com pouco mais de 100 óbitos para cada grupo de 100 mil habitantes. Alagoas está em 15º lugar com 60 mortes por grupos de 100 mil habitantes. Dados do Ministério da Saúde, apresentados por Renan no evento, indicam que de janeiro a julho deste ano, os acidentes de trânsito consumiram entre 30% a 40% do que o SUS gastou com internações por causas externas, o equivalente a R$ 268,7 milhões. Renan Calheiros conclui lembrando que a banalização da arma está na raiz do problema. ?Ela é responsável ? a arma de fogo no Brasil ? por nove em cada dez assassinatos, e 87% dos crimes que acontecem no País são por motivos fúteis?, declarou o senador. O seminário estadual foi o primeiro passo para a efetivação de medidas que possam realmente evitar o crescente índice de violência e mortes por homicídios, acidentes de trânsito, entre outras causas.