Polícia
Detentos promovem rebeli�o no S�o Leonardo
RÓDIO NOGUEIRA Inconformados e denunciando péssima alimentação, agressões praticadas por agentes penitenciários e desrespeito aos direitos da população carcerária, os cerca de 100 presos do Instituto Penal São Leonardo se rebelaram, na noite do sábado, tocando fogo em dezenas de colchões, camas, roupas e lixo. A rebelião começou às 20h e somente foi controlada à meia-noite, após várias rodadas de negociações envolvendo representantes do Conselho Estadual de Direitos Humanos e oficiais da Polícia Militar de Alagoas. Pelas grades, os presos mostraram estiletes e pedaços de cano. Um detento foi tomado como refém, no momento em que soldados do Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegaram para invadir o presídio. Eles ameaçaram matar companheiros de cela, caso o Bope entrasse no presídio. Por causa do grande risco e para evitar assassinatos os militares só tiveram acesso ao interior do São Leonardo após a situação se normalizar. Enfurecidos, os detentos ameaçavam matar prisioneiros reféns, caso o capitão Alexandro Paranhos não atendesse às reivindicações da categoria. Um dos líderes do movimento disse que os presos estão sendo espancados e que muitos que já cumpriram sua sentença, imposta pela Justiça, continuam recolhidos. ?A verdade é que o sistema é fraco. Estão colocando homens que cumprem sentença por assalto, homicídio e tráfico com estupradores e isso não pode acontecer. Outra questão diz respeito à alimentação. Além de não valer nada, está sendo servida com atraso de até duas horas?, denunciou um detento, que se identificou como Silveira. À zero hora a rebelião chegou ao seu final, com a entrada dos negociadores, que prometeram atender aos pedidos dos presos. O capitão Alexandro Paranhos garantiu atender a todos os pedidos, para evitar nova rebelião. ?Os apenados estavam agitados e a todo tempo prometendo reagir, caso o Bope tivesse aceso ao interior do presídio. No final, os militares entraram e fizeram uma revista. Alguns estiletes foram encontrados e o clima votou à normalidade. O fogo consumiu muitos colchões e roupas, que terão de ser repostos. Os presos invadiram a enfermaria e destruíram alguns objetos?, explica o diretor-geral do São Leonardo, Alexandro Paranhos. Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi acionada para debelar as chamas no local.