Polícia
Ex-delegado da PF pede revoga��o de pris�o
São Paulo (Agência Folha) - Supostas falhas de procedimento da Polícia Federal no cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão, no último dia 30 de outubro, são o principal argumento de defesa das nove pessoas presas pela Operação Anaconda. Os objetos apreendidos pela PF não foram relacionados nos locais onde ocorreram as apreensões. Seguiram para Brasília em sacos lacrados e só na capital federal foram inventariados. Em decorrência disso, os advogados das partes alegam que as prisões de seus clientes são fundadas em provas inverídicas. O delegado federal aposentado Jorge Luiz Bezerra da Silva ingressou com um pedido de revogação de prisão preventiva no Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região (em São Paulo). Ele atuou vários anos em Alagoas e depois se transferiu para a Polícia Federal no Mato Grosso, vindo posteriormente a aposentar-se e a abraçar a carreira de advogado, em São Paulo. Segundo seu advogado, Wilson Rogério Martins, não consta a existência de um fuzil AR-15 nos autos de apreensão assinados por Silva. Como a prisão do delegado aposentado foi fundamentada pela suposta posse do fuzil, o advogado entende que seu cliente deve ser posto em liberdade. Jorge Luiz foi denunciado pelo Ministério Público Federal pela eventual prática do crime de formação de quadrilha - ele não é acusado de outros crimes. Martins anexou ao pedido um contrato de honorários que, segundo ele, justificaria o fato de a PF ter encontrado US$ 42 mil em poder de Silva. Aposentado na PF, hoje ele exerce a advocacia. O advogado disse ainda que não há prova de nenhum crime cometido por seu cliente. Segundo ele, a denúncia por formação de quadrilha é inconsistente porque os grampos judiciais de conversas telefônicas não mostrariam Silva em contato com os outros denunciados. ?Ele tem a obrigação de cumprir prazos judiciais. A prisão estaria causando grandes prejuízos a ele?, disse Martins. Comprovante O advogado Alberto Zacharias Toron, que representa o juiz João Carlos da Rocha Mattos, disse que irá pedir a reconsideração da prisão de seu cliente ao TRF. O pedido deverá ser apresentado junto com a defesa preliminar para as denúncias criminais do Ministério Público Federal. O fundamento para a prisão de Rocha Mattos é o suposto fato de terem sido encontrados em sua casa recibos de depósitos feitos pelo empresário Sérgio Chiamarelli Júnior na conta do juiz. Toron nega que os recibos tenham sido encontrados na casa de Rocha Mattos. O próprio juiz, ao receber seu pedido de prisão, escreveu um bilhete no qual afirma que ?documentos que jamais estiveram no apartamento da Rua Maranhão, 208 - que pertenciam a Sérgio Chiamarelli - criminosa e falsamente, constaram ter sido encontrados na Rua Maranhão e não na Rua Pernambuco (onde mora Chiamarelli)?. Se o advogado conseguir convencer a Justiça de que os comprovantes de depósitos bancários não estavam na casa de Rocha Mattos, o juiz poderá ser colocado em liberdade.