Polícia
M�vel do crime: cobran�a de imposto ou desvio de recursos
A polícia alagoana partiu de duas vertentes particulares para apurar o homicídio do tributarista Sílvio Vianna, ocorrido em 1996. O primeiro inquérito indiciou o cabo Sandro Duarte e o vigilante Ebson Vasconcelos, porque teriam sido contratados, segundo os delegados que presidiram as investigações, pelos fiscais de renda Arnaldo Persiano e Célio Viana para matar o então chefe de Arrecadação Fiscal da Secretaria da Fazenda. Para os delegados, Vianna havia descoberto que os dois fiscais estavam desviando dinheiro da arrecadação, no Agreste alagoano, e pretendia puni-los, motivo mais do que convincente para mandarem matá-lo. Pronunciados pelo juiz Paulo Nunes, hoje falecido, Arnaldo Persiano, Célio Viana e Ebson Vasconcelos juraram inocência, enquanto Sandro Duarte chegou a participar de uma reconstituição do crime, determinada pelo magistrado e que foi acompanhada por um representante do Ministério Público. E chegou a fazer duas confissões, garantindo haver atirado na vítima. A versão de que desvio de dinheiro teria motivado a morte de Vianna começou a cair por terra, quando o militar Sandro Duarte decidiu escrever uma carta, contando as torturas que havia sofrido nas mãos da polícia, fato que motivou outro depoimento. Isso porém não encerrou o caso, pois o militar foi novamente submetido a torturas (conforme depoimentos no processo) e obrigado a mudar, pela terceira vez, suas declarações. Sandro Duarte só conseguiu ter sua alegação de tortura aceita pela Justiça quando o juiz Jerônimo Roberto assumiu o caso. Foi ele quem acatou as revelações do militar como verdadeiras, bem como as informações fornecidas por Ebson Vasconcelos, que concordou em depor como testemunha à Justiça, apontando Cavalcante como envolvido numa trama, que culminou com a morte do chefe de Arrecadação Fiscal da Secretaria da Fazenda. Ebson Vasconcelos não destacou apenas os nomes dos autores materiais do crime e o suposto intermediário, alertou o magistrado para as dificuldades que a Justiça iria encontrar para identificar os mandantes. Segundo o vigilante, seriam pessoas de grande influência econômica e política no Estado. Até hoje, eles não foram citados em nenhuma das duas investigações, nem mesmo quando a Polícia Federal colaborou na apuração do caso, através de uma Força Tarefa, liderada pelo delegado Mário Pedro. Dos quatro indiciados, somente o ex-tenente Silva Filho conseguiu a impronúncia e não será julgado amanhã. Para tanto, o deputado João Beltrão precisou depor na Justiça, garantindo que estava na companhia do mesmo, em Arapiraca, quando Vianna foi emboscado e executado a tiros, em Ipioca.