Polícia
Acusados de matar Vianna v�o a j�ri popular
O processo que apura a morte do tributarista Sílvio Carlos Luna Vianna, um dos crimes de maior repercussão em Alagoas, nos últimos dez anos, começa a ser julgado, nesta segunda-feira e os juristas acreditam que a sessão do Tribunal do Júri de Maceió prolongue-se por, pelo menos, dois dias, quando o Conselho de Sentença apresentará sua decisão a respeito do caso, impune há sete anos. O então chefe de arrecadação da Secretaria da Fazenda foi emboscado e assassinado em um trecho da AL-101 Norte, em Ipioca, na noite de 28 de outubro de 1996, quando voltava para Maceió, procedente daquele distrito. Ao indeferir o pedido de habeas-corpus do ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, impetrado pelos advogados Luiz Cavalcante Amorim e Franklin Pereira dos Santos, o Tribunal de Justiça do Estado confirmou o julgamento do ex-militar. Cavalcante é apontado como autor intelectual do crime, uma espécie de intermediário, entre os verdadeiros mandantes e os executores do atentado que vitimou o servidor. Além do ex-oficial da PM alagoana, serão levados a julgamento o ex-soldado Garibaldi dos Santos Amorim e o fazendeiro José Fernandes, o ?Fernando Fidélis?, que está foragido e será julgado à revelia. Cavalcante e Garibalde estão presos no Baldomero Cavalcanti, condenados por envolvimento nas ações da ?gangue fardada?. A sessão ordinária do Tribunal do Júri de Maceió, que despertará a atenção de todo o meio jurídico no Estado, por se tratar de uma peça impar, ou seja, o apêndice de um processo preliminar (que apresenta outros três acusados), terá início às 8 horas e será presidido pelo juiz José Braga Neto, da 3ª Vara Especial Criminal, funcionando como representante do Ministério Público o promotor Marco Aurélio Gomes Mousinho. O assassinato de Sílvio Vianna é apurado em dois processos que apresentam versões divergentes, fato que pode, ainda, transformá-lo num caso insolúvel. O que aponta o ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante como autor intelectual do crime faz parte de um segundo grupo. Os primeiros indiciados foram o cabo PM Sandro Duarte e os fiscais de renda Célio Viana e Arnaldo Persiano, que estão aguardando decisão do Superior Tribunal de Justiça, em liberdade. Também era acusado no processo inicial o vigilante Ebson Vasconcelos, o ?Eto?, que acabou assassinado em Maceió. O primeiro inquérito levou o juiz Jerônimo Roberto a pedir novas diligências, pois ficou provado que o soldado PM Sandro Duarte Guimarães tinha sido torturado para confessar o crime. O inquérito foi presidido pelos delegados Flávio Saraiva, Nilson Alcântara e Cícero Torres. As declarações do militar, alegando torturas físicas e psicológicas, além de ameaças, foram consideradas uma ?bomba? para a primeira fase das investigações. As informações fornecidas ao magistrado pelo vigilante Ebson Vasconcelos, quando foi apresentado à Justiça pela Polícia Federal, desmontou a versão da polícia. Declarou e revelou indícios de que o crime tinha sido planejado por Cavalcante e executado pelo tenente Silva Filho, seu braço direito, o soldado PM Garibaldi, seu segurança, e o fazendeiro ?Fernando Fidélis?, um amigo particular do então militar. O advogado Sérgio Vianna, irmão de Sílvio, que vai auxiliar o Ministério Público durante o julgamento, entende que a condenação do grupo de Cavalcante não isenta o grupo de Sandro Duarte. Ele não descarta a possibilidade dos seis acusados terem ligação com o mesmo crime e, ?portanto todos devem ser condenados?. No seu entender, o julgamento dos primeiros acusados será uma oportunidade que a sociedade alagoana terá para combater o crime organizado e a improbidade administrativa.