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“Eu n�o tinha motivos para matar S�lvio Vianna”

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EDITORIA DE POLÍCIA Em entrevista exclusiva à GAZETA DE ALAGOAS, o ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante afirmou ter a certeza de que já está condenado no processo da morte do tributarista Sílvio Vianna. O ex-oficial da PM, que cumpre outra pena na Penitenciária Baldomero Cavalcante, alertou que ?pior do que a morte de Vianna é condenar um inocente para atender interesse de poderosos de Alagoas e da família da vítima. Digo isto, porque tenho informações seguras de que a maioria dos jurados está comprometida com minha condenação?. Recolhido a uma ala de presos especiais, Cavalcante está magro e magoado. Recebe poucas visitas, pois quem se aventura a vê-lo é submetido a uma série de constrangimentos. Precisa passar por uma série de revistas, é submetida a uma sabatina para saber o que quer com ele, além de ter que se declarar e assinar que é amigo do ?coronel Cavalcante?. Preso, desde 1997, ele continua afirmando que não cometeu nenhum crime e que está obedecendo a decisão do Poder Judiciário e aguardando o dia de sua liberdade. Ele garante que não pretende mais voltar para Polícia Militar de Alagoas. ?Amo a polícia, como também tenho grandes amigos na corporação, mas ao lograr liberdade irei morar em outro Estado, concluir o Curso de Direito e exercer a carreira de advogado na área penal. Na sala de visitas do presídio Baldomero Cavalcante, onde conversou com a reportagem da GAZETA DE ALAGOAS, o ex-tenente-coronel da PM fez várias acusações de irregularidades no processo e voltou a alegar inocência. Ele diz aguardar com serenidade o julgamento que começa amanhã: Alegação de inocência ?Sei da dor da família de Sílvio Vianna, pois já tive três irmãos assassinados. Mas não sou o responsável. Fui eu que ajudei na prisão do réu confesso, pessoa que confessou o crime na presença de um juiz e de um promotor de Justiça. Por ter ajudado no esclarecimento da morte do dr. Sílvio, incomodei aos poderosos que mandaram matá-lo, em virtude do trabalho que ele desenvolvia na Secretaria da Fazenda?. Contestação ?Considero irregular também a indicação do juiz Daniel Acioli para conduzir o processo do caso Vianna. ?Eu o denunciei à CPI do Narcotráfico e ele não poderia atuar num processo contra mim?. ?Jamais os co-réus da primeira investigação poderiam se tornar testemunhas do segundo processo, de acordo com o Código de Processo Penal (CPP)?. (A primeira investigação aponta os fiscais de renda Arnaldo Persiano e Célio Viana, como mandantes, e o cabo PM Sandro Duarte, além do vigilante Ebson Vasconcelos, o ?Eto?, este assassinado, como autores materiais. Foi ?Eto? que acusou Cavalcante de intermediar a morte do tributarista). Investigações ?O delegado Mário Pedro, que presidiu o segundo inquérito, é o mesmo que pagou pela compra das armas italianas sem receber nenhuma delas. ?Agora está sendo acobertado em recompensa ao inquérito contra minha pessoa?. Divaldo Suruagy ?O julgamento do processo da morte de Sílvio Vianna jamais deve acontecer sem o depoimento da principal testemunha de defesa, o ex-governador Divaldo Suruagy, porque foi ele quem me convocou para a acompanhar a investigação e eu não poderia negar um pedido do comandante maior do Estado?. ?Tive a glória de, ao ser convocado pelo governador, ter descoberto o réu-confesso e autor material do crime, juntamente com outros, e estou pagando pelo fato de ter cumprido com o meu dever e ter apontado quem matou Vianna, o que muita gente poderosa não gostou. Nunca tive usina, casa de comércio, tampouco estava sendo investigado por sonegação fiscal. Portanto, não tinha motivo para matar Sílvio Vianna?. Sem represálias ?Ninguém deve ter receio de sofrer represálias de meus irmãos, o ex-major Adelmo, o ex-tenente Ademar e o ex-soldado Marcos. Eles estão em outro Estado, morando e trabalhando com suas famílias. Eu e Adelmo estivemos no comando de batalhões da PM e não saímos a cometer nenhum delito, nem mesmo contra os assassinos de meus três irmãos. Também, desde a liberdade de meus irmãos, eles não cometeram delitos e jamais cometerão. Só queremos viver em paz com nossas famílias?. Desabafo final ?Sinto-me como um condenado que está indo para o corredor da morte. Meu pai, meus filhos e amigos, tenham a certeza absoluta, de que, como Deus existe, eu não matei Sílvio Vianna?.

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